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Empresas têm dificuldade em medir impacto da IA, mostra pesquisa

25 de agosto de 2026

Levantamento da Twygo mostra que 60% das empresas brasileiras já usam inteligência artificial na aprendizagem corporativa, enquanto 29% ainda apontam dificuldade em comprovar impacto

Foto: Reprodução/Magnific

A dificuldade de medir resultados virou um dos principais entraves dos treinamentos corporativos em um cenário de avanço da inteligência artificial.

A informação é da pesquisa Benchmarking do T&D no Brasil 2026. Realizado pela Twygo, plataforma de treinamento e desenvolvimento de pessoas, o estudo ouviu mais de 270 profissionais da área e mostra que 60% das organizações já adotam IA em processos de aprendizagem, enquanto 29% apontam dificuldades para comprovar o impacto das capacitações.

A adoção da tecnologia deixou de ser uma tendência distante e passou a integrar a rotina das equipes de aprendizagem. O uso da IA aparece em frentes como criação de conteúdos, personalização de trilhas, organização de dados e análise de indicadores, mas a efetividade dos treinamentos ainda depende da capacidade de conectar aprendizado à prática.

Segundo o estudo, indicadores como presença, conclusão de cursos e notas em avaliações ajudam a acompanhar a adesão, mas não mostram sozinhos se houve mudança de comportamento ou ganho de competência. A área passa a ser pressionada a conectar os treinamentos ao desempenho, aplicação prática e objetivos do negócio.

O desafio também é internacional. O State of Learning and Development Report 2025, da LearnUpon, realizado pela Censuswide com 600 profissionais do Reino Unido, Estados Unidos, Austrália e Nova Zelândia, mostrou que 30% ainda enfrentam dificuldades para medir o retorno dos investimentos em aprendizagem, enquanto 29% apontam obstáculos para demonstrar o impacto dos programas.

O levantamento também indica que métricas tradicionais, como conclusão dos cursos e satisfação dos participantes, continuam entre as mais utilizadas. 

A discussão também aparece na pesquisa HR Monitor 2026, da McKinsey. A recomendação é substituir a medição baseada apenas em participação e horas de treinamento por indicadores ligados à evolução de competências e ao desempenho. Para a consultoria, os resultados da aprendizagem devem ser conectados às exigências de cada função, carreira e objetivos do negócio.

A IA pode apoiar essa medição ao organizar dados, identificar lacunas de aprendizagem e sugerir trilhas mais alinhadas às funções. Integradas a dashboards e relatórios, essas informações permitem que o RH acompanhe não apenas quem concluiu um curso, mas quais avanços ocorreram depois da capacitação.

O CEO da Twygo, Jackson Rovina, afirma que a avaliação de um treinamento não deve se limitar à satisfação do colaborador com o conteúdo. Para ele, a principal questão é entender se o aprendizado teve utilidade real na rotina de trabalho e contribuiu para a evolução prática do profissional.

“A empresa precisa saber se o aprendizado ajudou a pessoa a desempenhar melhor sua função, desenvolver uma competência ou resolver um desafio do dia a dia. Sem essa conexão, o treinamento vira apenas uma entrega de conteúdo, e não uma ferramenta de desenvolvimento”, destaca.

Objetivos claros ajudam a medir o impacto dos treinamentos

A definição de objetivos antes do treinamento se torna uma etapa decisiva. Sem clareza sobre qual competência, comportamento ou resultado a empresa pretende desenvolver, a medição tende a ficar restrita ao volume de conteúdos entregues e ao índice de participação.

Gestores também ganham papel mais direto nesse processo. Como acompanham a rotina dos times, são eles que conseguem observar se o colaborador aplicou o conteúdo, mudou práticas, ganhou autonomia e se passou a desempenhar melhor determinada atividade.

Ferramentas de mensuração integradas à plataforma de aprendizagem ajudam o RH a reduzir controles manuais e acompanhar os resultados com mais consistência. No caso da Twygo, por exemplo, a avaliação de eficácia pode ser configurada após os treinamentos com base na metodologia de Kirkpatrick, reunindo respostas de colaboradores e líderes para medir reação, aprendizagem, mudança de comportamento e impacto das capacitações nos resultados da empresa.

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