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BC/Nilton: mercado discorda da ideia de que BC não tentará cumprir meta

23 de setembro de 2026

Por Gabriela Jucá e Marianna Gualter

São Paulo, 23/09/2026 – O diretor de Política Monetária do Banco Central, Nilton David, afirmou que o mercado não compartilha da ideia de que a autoridade monetária não tentará cumprir a meta de inflação. A avaliação foi feita durante evento organizado pelo Safra, em São Paulo, ao comentar a preferência dos investidores por papéis atrelados à Selic.

Segundo Nilton, se houvesse desconfiança sobre o compromisso do BC com a meta, os agentes tenderiam a buscar proteção em títulos indexados à inflação, como as NTN-B, em vez de se manterem expostos a taxas flutuantes. “No entanto, não é o que vemos: há forte preferência por permanecer no curto prazo”, destacou, citando as LFTs.

“Se o BC fosse percebido como complacente, esse [posição em LFTs] seria o último lugar para se estar, pois a autoridade deixaria os juros baixos. Portanto, o mercado não parece compartilhar a ideia de que o Banco Central não cumprirá – ou não tentará cumprir – a sua meta”, frisou.

O diretor reconheceu que a transmissão da política monetária no Brasil tende a ocorrer com defasagens, em parte devido à ampla indexação à Selic tanto nos ativos quanto nos passivos. Ele chamou a atenção para o comportamento do crédito no ciclo recente: enquanto o Banco Central elevou a Selic em 400 pontos-base, de 11% para 15% ao longo de 2024 e 2025, o spread de crédito recuou entre 100 e 150 pontos-base.

“Não é o esperado que, quando a autoridade monetária está subindo os juros, o spread de crédito caia”, afirmou, ao avaliar que esse movimento permitiu a alguns tomadores captar mais barato e por prazos mais longos, postergando parte do efeito do aperto monetário.

Nilton também disse que o BC foi mais duro em 2025 do que se imaginava um ano antes nas projeções do boletim Focus. De acordo com ele, a Selic média do ano ficou cerca de 400 pontos-base (4 pontos porcentuais) acima do que o mercado projetava um ano antes, o que reforça a avaliação de um aperto mais intenso do que o antecipado.

Ao comentar a recente revisão do mercado nas projeções de crescimento, o diretor afirmou que não sabe exatamente o que levou os participantes do Focus a reduzirem as estimativas para o PIB do próximo ano, mas disse que, para o Banco Central, a surpresa de atividade não tem a magnitude que parece estar sendo para alguns.

Contatos: gabriela.silva@estadao.com; marianna.gualter@estadao.com

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