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Em carta a ministros do STF, pai de Vorcaro nega ligação em esquema e pede revogação da prisão

22 de setembro de 2026

Por Gabriel Máximo e Lavínia Kaucz

Brasília, 22/09/2026 – O empresário Henrique Vorcaro enviou uma carta aos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) nesta terça-feira, 22, afirmando que não pode ser arrastado para o caso do Banco Master só por ser pai do banqueiro Daniel Vorcaro.

Henrique foi preso preventivamente em maio na Operação Compliance Zero. Ele está detido no Complexo Penitenciário Nelson Hungria, em Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Segundo a Polícia Federal (PF), o pai de Vorcaro era operador financeiro da milícia privada batizada de “A Turma”.

“É importante os Srs. saberem que Daniel não tratava nada de Banco ou de negócios dele comigo, até me rejeitava. Talvez eu seja a pessoa que ele menos falava de seus negócios. Fiquei sabendo destes assuntos por notícias da mídia”, sustentou, afirmando que Daniel quis um “voo solo”.

Henrique Vorcaro classificou como “um absurdo completo e sem menor sentido” as acusações de que ele integraria o esquema liderado pelo filho.

“Se eu tivesse alguma coisa escusa com eles, teria algo no telefone deles. Não existe nada nas minhas conversas com eles de coisas erradas, só dos negócios comerciais dos empreendimentos que são honestos”, afirmou o empresário.

Henrique também rebateu a acusação feita pela PF de que ele estivesse agindo para obstruir provas. O empresário afirmou que mantém o mesmo número de telefone “há 30 anos”, negou que tenha trocado de aparelho, mas confirmou ter recebido um celular de Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Sicário”, após a prisão do filho para “não fazer desfeita”.

“Ganhei um telefone do Sr. Phillipi após a prisão do Daniel que, se eu usei 3x foi muito, pois eu mesmo disse que não precisava daquilo, como ele insistiu e comprou de presente, eu aceitei para não fazer desfeita”, relatou.

Segundo Henrique, Daniel Vorcaro nunca tratou de seus assuntos comerciais com o pai, que sequer era “bem-vindo” em qualquer coisa relacionada ao filho. “Para mim era uma tristeza, sofria muito com esta rejeição. Minha relação com Daniel de pai e filho é boa, eu o amo muito, muito, muito. Ele trabalhou comigo dos 15 aos 33 anos de idade, por todos os dias, após esse período ele quis um voo solo e eu sentia muita falta dele”, desabafou.

Na sequência, o empresário defendeu justiça na apuração do caso e pediu que não seja arrastado para o escândalo apenas por ser pai do banqueiro: “Até entendo os holofotes sobre o Caso Master, mas não queiram me arrastar para dentro disso só porque eu sou pai do Daniel. Tenho muitos negócios, todos honestos. Preciso da minha reputação e dignidade restauradas, por favor sejam corretos e justos. O ofício da Polícia Federal é fazer justiça, não injustiça. É descobrir a verdade, não criar histórias por hipóteses absurdas e sem comprovação”.

Por fim, Henrique Vorcaro pediu que os ministros revejam sua prisão preventiva, que classificou como uma “injustiça” e uma “desumanidade que parece mais um ódio, uma perseguição cega, uma obsessão”. O empresário também relatou que sua saúde tem piorado na cadeia, onde tem enfrentado crises de diverticulite, uma inflamação nas paredes do intestino grosso.

“Parece que tanto faz me deixar há mais de 4 meses preso, sem culpa nenhuma, passando mal todos os dias, arriscando ter um sintoma irreversível, longe da minha esposa que também está doente, sendo que em 43 anos nunca ficamos separados por mais de 5 dias. Me perdoem por este desabafo, mas minha vida corre perigo”, diz.

Contato: gabriel.maximo@estadao.com; lavinia.kaucz@estadao.com

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