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18 de setembro de 2026
Por Ricardo Corrêa, do Estadão
Há poucas dúvidas de que a eleição presidencial de 2026 será decidida nos detalhes, nos últimos dias, com pouca margem de vantagem para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ou para o senador Flávio Bolsonaro (PL). Qualquer um dos dois que vencer, dificilmente conseguirá chegar ao dia da eleição com as pesquisas de intenção de voto dando alguma tranquilidade de que a vitória está encaminhada. E três fatores podem impactar os resultados de primeiro e segundo turno, fazendo a balança pender para qualquer um dos dois, a despeito dos temas que serão discutidos até o dia da eleição.
O primeiro é o grau de desidratação dos demais candidatos no primeiro turno, fenômeno que vimos acontecer nas últimas eleições presidenciais. Se isso se repetir, tende a ajudar mais a Flávio Bolsonaro do que a Lula, já que os outros nomes estão mais identificados com a direita. Foi esse fato que fez com que com o economista Maurício Moura não descartasse nem mesmo a possibilidade de uma vitória de Flávio Bolsonaro na primeira etapa de votação.
O segundo ponto é o comportamento histórico dos indecisos. Nesse caso, embora na reta final o mais comum seja que esse grupo se distribua entre os vários candidatos, por padrão, o incumbente tende a levar vantagem, sobretudo em um segundo turno. A razão é simples: se alguém está em dúvida sobre qual o melhor caminho até o final, a tendência maior é que não arrisque, deixando tudo como está. Por isso, quem disputa a reeleição leva vantagem nesse grupo e, em geral, cresce na hora das urnas.
O terceiro ponto, e talvez o mais comentado, é a abstenção. Quando se comparam as pesquisas com os resultados da urna, verifica-se que, em geral, a abstenção tem prejudicado mais o PT ao longo das últimas disputas. Mas esse cálculo para a eleição atual não é tão fácil assim.
Abstenções costumam ser mais altas nos extremos das faixas etárias. Em 2022, chegou a 21,06% entre os mais jovens (aqueles com 16 a 24 anos) e 32,15% entre os mais idosos (com mais de 60 anos). Para comparação, nas demais faixas do eleitorado a abstenção foi de 16,53%.
Lula tem grande vantagem entre os mais velhos, enquanto Flávio lidera, ao menos no segundo turno, entre os mais jovens, ao contrário do que se via em disputas anteriores. Essa última diferença em relação a 2022 pode amenizar um pouco a perda de Lula com a abstenção.
Ainda assim, em tese, como o eleitorado acima de 60 anos (36,5 milhões neste ano) é bem maior do aquele com até 24 anos (19,2 milhões), e a abstenção entre os idosos também é bem maior, o impacto pode ser mais sentido no eleitorado de Lula, ajudando Flávio.
Não é uma conta tão exata, já que há grandes diferenças dentro dessas faixas etárias, com abstenções naturalmente bem mais altas em públicos com voto facultativo (acima de 70 anos e entre 16 e 17 anos). Como as pesquisas em geral não estratificam tanto assim esses eleitorados, torna-se mais complicado fazer qualquer conta sobre isso. Além disso, nos últimos anos os institutos têm se esmerado nas ponderações para tentar neutralizar esse tipo de impacto. Ainda assim, de maneira geral, se alguém precisa se preocupar mais com a abstenção é o petista.
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