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Para Fitch Ratings, conjuntura atual leva à necessidade de mais provisões, restando menos espaço para rentabilidade
9 de junho de 2026
Por André Marinho
Os maiores bancos brasileiros devem seguir enfrentando um ambiente de negócios desafiador ao longo do segundo semestre, avaliaram analistas da agência de classificação de risco Fitch Ratings, em uma entrevista exclusiva à Broadcast. A expectativa é a de que o ritmo lento de cortes de juros conserve a pressão sobre o crédito e a qualidade dos ativos, em um contexto de instabilidade geopolítica e incertezas eleitorais.
O cenário comprime a capacidade de pagamentos de empresas e famílias e eleva a inadimplência. Em resposta, as instituições financeiras tiveram que ampliar as despesas de provisões contra devedores duvidosos (PDD) no primeiro trimestre, como mostrou reportagem da Broadcast no mês passado. Assim, sobra menos espaço para sustentar os níveis de lucro e rentabilidade.
Entre os principais nomes do setor, a Fitch mantém cobertura de Itaú Unibanco, Banco do Brasil, Bradesco e BTG Pactual. Segundo os analistas, todos registraram algum grau de deterioração nas métricas de qualidade, mas a dimensão depende fundamentalmente da exposição a carteiras mais pressionadas.
No Banco do Brasil, o agronegócio continua liderando um agravamento nos atrasos e forçando um volume elevado de provisionamento. Os analistas da Fitch viram os primeiros sinais de que a piora está próxima do pico, mas reconhecem que o contexto macroeconômico segue incerto e pode prejudicar o processo.
Segundo eles, as provisões do BB foram puxadas pela adoção da resolução 4.966, que antecipou o reconhecimento contábil de potenciais perdas de crédito. No entanto, os efeitos do programa de renegociação Regulariza Agro e mecanismos mais fortes de garantia das operações podem reduzir o ritmo de crescimento das reservas para cobrir possíveis calotes, avaliam.
O movimento, entretanto, não deve assegurar uma melhora rápida da rentabilidade medida pelo retorno sobre patrimônio (ROE), que caiu a 7,3% no primeiro trimestre, pior nível em cerca de uma década. O cenário macroeconômico segue incerto, com Selic em dois dígitos e riscos climáticos, como o El Niño. Ao mesmo tempo, o agronegócio ainda registra avanço no número de recuperações judiciais, embora o ritmo tenha desacelerado.
No caso do Bradesco, a Fitch vê sinais de contínua execução no plano de recuperação de cinco anos iniciado em 2024, em uma escala gradual, conforme prometido pelo presidente do banco, Marcelo Noronha. A instituição financeira ampliou a participação de operações com garantia e cresceu na alta renda, enquanto a consolidação dos negócios de saúde sob o guarda-chuva da Bradsaúde entregou um importante reforço na base de capital.
Os analistas, no entanto, afirmam que o processo é dificultado pelo quadro macroeconômico. Para eles, embora esteja caminhando na direção correta, o Bradesco dependerá de um ambiente mais favorável para acelerar a melhora dos resultados.
Itaú e BTG, por sua vez, têm demonstrando um perfil mais resiliente. Não à toa, a Fitch mantém os ratings dos dois bancos em BB+, um degrau acima da nota soberana do Brasil. O Itaú, em particular, colhe os frutos de uma estratégia focada em eficiência operacional e gestão de risco, avaliam os analistas. No agro, por exemplo, o maior banco privado do País tem uma participação relevante, mas construiu uma carteira bem protegida, de acordo com a análise.
Já o BTG, mais apartado do ciclo do varejo, segue com uma posição de capital confortável, no entendimento da Fitch. A agência também chama atenção para a capacidade da instituição financeira de acessar os mercados de capitais em condições favoráveis.
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