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Petrobras bate recorde de valor de mercado, mas política de preços permanece no radar

16 de setembro de 2026

Por Luísa Laval*

São Paulo, 16/09/2026 – Enquanto os investidores tinham um olho na sessão histórica do Supremo Tribunal Federal (STF) ontem, o outro estava em uma marca inédita: a Petrobras atingiu, ao final da tarde, seu maior valor de mercado da história, chegando a R$ 693,14 bilhões, impulsionada especialmente pelos ganhos do Brent no mês de setembro. Apesar do bom desempenho, o mercado segue atento a possíveis intervenções na política de preços da empresa.

Desde 2 de julho, quando o petróleo atingiu sua menor cotação ao longo dos meses de conflitos entre os Estados Unidos e o Irã, aproximando-se do nível de US$ 70 por barril, a commodity voltou a acelerar e já acumula alta de 51,9% até o fechamento de ontem, aproximando-se novamente de US$ 110. A ação PN da estatal brasileira, por sua vez, acelerou o ritmo de valorização para 36,6% desde então.

Nesta quarta-feira, 16, o BTG Pactual destacou a alta de 10% do Brent nesta semana e o aumento da volatilidade da commodity, o que também beneficiou as ações do setor, como a Prio, a Brava e a PetroReconcavo. No caso da Petrobras, o banco diz que o principal debate volta a ser a política de preços e o programa de subvenção.

Para os analistas Rodrigo Almeida e Gustavo Cunha, o aumento da defasagem em relação à paridade de importação (IPP) deve manter o foco do investidor tanto sobre a subvenção adicional ao diesel – em que o BTG espera que a Petrobras capture parte do incremento de R$ 1,00 por litro – quanto sobre decisões de preços após as eleições.

O Citi também alertou para a questão em um relatório recente e o fez com cálculos: o banco estima que a Petrobras poderia ter gerado cerca de US$ 4,2 bilhões adicionais desde o início do conflito no Oriente Médio se tivesse seguido estritamente a IPP nos combustíveis. Segundo o banco, em média, os preços praticados pela estatal ficaram 29% abaixo da IPP na gasolina e 19% abaixo da IPP no diesel no período.

A instituição estrangeira não espera que o cenário de alta do petróleo alivie no curto prazo, pois vê um aperto global no balanço de oferta e demanda de diesel, particularmente à luz do banimento de exportações pela Rússia.

“Ao mesmo tempo, estamos nos aproximando do período de pico dos volumes de importação de diesel no Brasil”, dizem os analistas Gabriel Barra, Pedro Gama e Andrés Cardona, em relatório. “No cenário atual, de ampla diferença entre os preços domésticos e internacionais, porém, acreditamos que as distribuidoras de combustíveis vão reduzir seus volumes de importação ou pressionar por aumentos de preços no mercado doméstico, dada a menor atratividade financeira de importar diesel.”

Para o Citi, independentemente do cenário de preços, um aperto estrutural na oferta global de diesel está em curso e, dado o tamanho das necessidades de importação do Brasil, um desenvolvimento geopolítico adverso pode se traduzir em uma situação de oferta de diesel mais apertada no mercado doméstico.

O banco acrescenta que a extensão dos subsídios e das isenções tributárias sobre combustíveis pode ser acompanhada por um aumento ou extensão do imposto de exportação de petróleo, como mecanismo de financiamento dessas medidas.

“Mesmo com os esforços do governo, seguimos vendo um ambiente desafiador no curto prazo, com a ‘janela’ de importação permanecendo, na prática, fechada”, conclui o Citi. “Apesar de nossas preocupações contínuas com a política de preços da Petrobras, observamos que os investidores parecem menos preocupados com esse tema do que em ciclos anteriores.”

Somado a isso, na semana passada a Petrobras confundiu o mercado ao anunciar um reajuste que levaria o preço médio nas vendas da gasolina para R$ 3,24 por litro, mas depois voltar atrás e informar que a mudança se restringiria à redução de R$ 0,19 no preço percebido com tributos, levando o valor final a R$ 3,05. O movimento foi interpretado por muitos como uma interferência governamental.

“O episódio reforçou as preocupações dos investidores sobre a independência do processo de tomada de decisão da companhia em relação à precificação”, destacou o Itaú BBA em relatório. “No geral, a ação ainda avançou, apoiada pela alta do petróleo a US$ 108/barril e pela confiança de que a empresa capturará o subsídio adicional do diesel; ainda assim, ficou atrás de outras produtoras, em meio a preocupações relacionadas à governança.”

Com isso, o banco estima os preços do diesel da Petrobras em 34% abaixo da paridade da IPP, enquanto os preços da gasolina estão 14% abaixo da paridade de exportação (EPP).

Contato: luisa.laval@estadao.com

*Com a colaboração de Cecília Mayrink

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