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14 de setembro de 2026
Por Bruna Camargo
São Paulo, 14/09/2026 – O mercado de capitais brasileiro está em uma fase de estabilização na jornada de inteligência artificial (IA) e em um nível de maturidade com nota média de 2,7 em uma escala de 1 a 5, segundo a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima). O primeiro Índice de Maturidade em IA voltado ao mercado de capitais brasileiro consta nos resultados da pesquisa inédita “Retrato da Inteligência Artificial”, realizada em parceria com o Datafolha e com apoio técnico da MatchIT.
“O índice mostra um mercado em transição entre a experimentação e a escala. A IA já está presente na rotina das instituições, mas ainda há espaço para evoluir na consolidação de processos, governança e geração de valor de forma estruturada e sustentável”, afirmou Marcelo Billi, superintendente de Inovação, Sustentabilidade e Educação da Anbima, em nota.
O levantamento divulgado hoje pela Anbima contou com entrevistas de 177 instituições, entre associadas e aderentes aos códigos de autorregulação da entidade, e mostra ainda que 92% das empresas do setor utilizam algum tipo de inteligência artificial em suas operações. Esse dado havia sido antecipado durante o Rio Innovation Week, conforme mostrou a Broadcast.
Relevância e benefícios
Para 59% das empresas, a relevância da inteligência artificial cresceu significativamente nos últimos 12 meses, enquanto 63% acreditam que sua importância continuará aumentando no próximo ano. Nenhuma das instituições participantes prevê perda de relevância da tecnologia no horizonte avaliado, reforçando a percepção de que a IA ocupará um papel cada vez mais central nas estratégias de negócios.
Os benefícios já percebidos também ajudam a explicar esse movimento, segundo a Anbima. Entre as empresas que utilizam IA, 80% apontam aumento de produtividade, 75% destacam a automação de tarefas e 57% relatam apoio à tomada de decisão e redução de riscos ou erros. As aplicações mais difundidas estão ligadas à ciência de dados (72%) e aos modelos generativos (67%), seguidas por machine learning (48%) e processamento de linguagem natural (36%).
Ao mesmo tempo, a pesquisa mostra que adoção não significa necessariamente maturidade. Enquanto 48% das empresas afirmam utilizar IA em áreas-chave com ganhos de eficiência e melhoria de processos, apenas 11% já integram a tecnologia a processos críticos de negócio e somente 3% relatam uma vantagem competitiva clara decorrente de seu uso.
Desafios
Os dados sugerem que o obstáculo do mercado já não é acessar ou implementar a tecnologia, mas transformá-la em uma competência estratégica integrada ao negócio.
A Anbima destaca que governança e mensuração aparecem como alguns dos principais desafios da jornada. Menos de um terço das instituições informa possuir estruturas de governança de dados classificadas como estruturadas ou avançadas, enquanto apenas 12% se posicionam em estágios consolidados ou avançados no que se refere às políticas de uso responsável da inteligência artificial.
A mensuração dos resultados também surge como uma lacuna relevante. Entre as empresas usuárias de IA, 43% afirmam avaliar seus impactos apenas de forma subjetiva, sem métricas estruturadas, enquanto somente 3% possuem indicadores corporativos integrados à estratégia da organização. Segundo a Anbima, os resultados indicam que o mercado já reconhece o potencial da tecnologia, mas ainda precisa evoluir na capacidade de medir, acompanhar e capturar valor de maneira sistemática.
Perspectivas
Entre as empresas participantes, 93% acreditam que a IA aumentará a eficiência dos processos internos, 90% enxergam potencial para geração de diferenciais competitivos e 73% veem oportunidades para o desenvolvimento de novos produtos, serviços e modelos de negócio, de acordo com o levantamento.
Contato: bruna.camargo@estadao.com
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