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15 de setembro de 2026
Por Ana Paula Machado
São Paulo, 15/09/2026 – Dentro da estratégia de disciplina financeira, a Isa Energia Brasil decidiu disputar o leilão de transmissão, mas no processo que acontecerá em abril de 2027. No certame deste ano, marcado para outubro, a companhia optou por não participar. Isso porque, segundo o diretor-executivo de Projetos da empresa, Dayron Urrego, a Isa está na fase de dispêndio de recursos em projetos greenfields já contratados.
Conforme Urrego, no primeiro semestre já foram aplicados R$ 1,46 bilhão em dois projetos de linhas de transmissão: Serra Dourada, entre Minas Gerais e a Bahia, e Itatiaia, que liga Minas Gerais ao Espírito Santo. A expectativa é que os desembolsos durante o ano devam ficar entre o realizado em 2024 (R$ 3,6 bilhões) e o do ano passado (2025), quando foram investidos R$ 5,1 bilhões.
“Temos em execução projetos neste momento muito grandes, o de Serra Dourada, de cerca de R$ 4 bilhões, e o de Itatiaia, com aportes em torno de R$ 3 bilhões; este está em fase de licenciamento ambiental”, disse Urrego. “Então, estamos neste momento focados em executar esses dois lotes, por isso não vamos participar do próximo leilão de transmissão. Mas estamos avaliando o processo de abril do ano que vem porque os investimentos devem começar a partir de 2028/2029, quando já estaremos perto de entregar os projetos já contratados.”
Na semana passada, a Aneel abriu uma consulta pública para o primeiro leilão de 2027, que prevê investimentos de R$ 12,9 bilhões e a construção de aproximadamente 3.245 km de novas linhas de transmissão e 1.386 megavolt-ampère (MVA) de capacidade de transformação.
Os empreendimentos serão divididos em 12 lotes, e o lote 5 prevê a implantação do primeiro sistema de armazenamento de energia por baterias no sistema de transmissão. Essa contratação será destinada ao atendimento em Cruzeiro do Sul e Feijó, no Acre.
Já o lote 11 prevê as instalações associadas à interligação elétrica Brasil-Bolívia. A inclusão definitiva depende dos “requisitos institucionais” relacionados ao acordo internacional, informou a Aneel. “Dos lotes anunciados, estamos avaliando quais poderiam ser interessantes, aqueles que tenham sinergia com os nossos projetos”, disse o executivo.
Atualmente, a Isa Energia Brasil detém 23 mil quilômetros de linha de transmissão, o que representa cerca de 30% da malha brasileira. Em São Paulo, no entanto, a empresa é responsável por 90% da infraestrutura no Estado. No primeiro semestre, a companhia faturou R$ 2,46 bilhões, valor 14,3% maior que o apurado em igual período de 2025. Já a dívida líquida cresceu 27%, passando de R$ 12,83 bilhões para R$ 16,28 bilhões.
Urrego ressaltou, no entanto, que a Isa avalia a participação do primeiro leilão de baterias para armazenamento de energia, que será realizado em dezembro deste ano (2026). Segundo ele, a companhia cadastrou alguns projetos no processo. “Estamos acompanhando esse certame há pelo menos três anos. Então, em nosso planejamento, sempre estamos reservando algo para disputar esse leilão de baterias”, afirmou o executivo. “Está definido que o segmento faz parte de nosso interesse como uma linha importante de negócios.”
Investimentos em reforços e melhorias
O executivo disse, ainda, que a companhia investe por volta de R$ 1,5 bilhão por ano em reforços e melhorias da rede elétrica. No primeiro semestre deste ano (2026), a empresa aportou R$ 815,4 milhões em projetos de renovação de seu parque instalado, crescimento de 19% em relação ao mesmo período do ano passado (2025). Somente no segundo trimestre, R$ 445,4 milhões foram destinados aos projetos de Reforços e Melhorias, alta de 17,4% na comparação com a mesma base de 2025.
No trimestre, a companhia energizou 16 projetos, com a substituição de 312 equipamentos entre transformadores, disjuntores, chaves seccionadoras, sistemas de proteção e linhas de transmissão. A carteira de projetos no segmento da Isa autorizada ao fim do segundo trimestre totalizava aproximadamente R$ 7,2 bilhões, que serão executados nos próximos anos.
Segundo a companhia, esses projetos são majoritariamente financiados por instrumentos do mercado de capitais, especialmente por meio da emissão de debêntures, podendo ainda contar com linhas de crédito do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
Contato: ana.machado@estadao.com
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