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16 de setembro de 2026
Por Guilherme Nannini
São Paulo, 16/09/2026 – A disparada nos custos de insumos agrícolas, puxada pelo encarecimento do óleo diesel e dos fertilizantes após o fechamento do Estreito de Ormuz e ataques no Estreito de Bab el-Mandeb, supera a recuperação recente nos preços das commodities e deve impedir que as principais culturas de grãos dos Estados Unidos atinjam o ponto de equilíbrio na safra 2026/27, segundo estudo divulgado pela American Farm Bureau Federation. De acordo com o levantamento, elaborado pelo vice-presidente de Políticas Públicas e Análise Econômica da entidade, John Newton, o aumento das despesas operacionais resultará no quarto ano consecutivo de retornos financeiros abaixo dos custos totais para produtores rurais norte-americanos.
A análise, baseada nos dados do relatório de Estimativas de Oferta e Demanda Agrícola Mundial (Wasde) de setembro, divulgado pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), mostra que as projeções de receita bruta por acre colhido melhoraram para algumas culturas em relação às estimativas de maio. O faturamento médio do milho foi elevado para US$ 857 por acre (mais de US$ 50), enquanto o da soja subiu para US$ 634 por acre (alta de US$ 30). Houve revisões positivas também para arroz, cevada e aveia.
Segundo a entidade, porém, a alta do diesel – que avançou, em média, 45% desde a primavera – e dos fertilizantes adicionou custos relevantes na comparação com as projeções anteriores à crise em Ormuz: cerca de US$ 30 por acre no algodão e no milho, US$ 14 por acre na soja e mais de US$ 70 por acre no arroz, superando qualquer ganho pontual de preço.
O Farm Bureau afirma que a valorização das commodities foi absorvida pelo choque nos custos de produção, estimados em quase US$ 500 bilhões nos EUA em 2026. Os gastos com fertilizantes devem atingir recorde de US$ 40 bilhões (alta anual de 15%), enquanto as despesas com combustíveis e diesel devem chegar a US$ 22 bilhões (avanço de 29%). O estudo cita ainda que os custos com juros bancários estão projetados em recorde de US$ 34 bilhões e podem subir mais com a expectativa de nova alta de juros pelo Federal Reserve (Fed).
Contato: guilherme.nannini@estadao.com
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