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16 de setembro de 2026
Por Eduardo Puccioni
São Paulo, 16/09/2026 – O mercado de fundos de índices (ETFs, na sigla em inglês) no Brasil está em um ponto de inflexão. Apesar do crescimento em dois dígitos, tanto em volume financeiro quanto em quantidade de fundos, ainda representa uma pequena fração do total de ativos sob gestão no país e encontra desafios importantes à frente para se desenvolver.
Joseph Markovitch, diretor e responsável pela área de vendas de produtos na VettaFi, explica que um dos principais desafios é a educação financeira. “Nos Estados Unidos, a educação sobre ETFs foi crucial para seu crescimento. Investidores institucionais e de varejo precisam entender os benefícios dos ETFs, como custos mais baixos, liquidez intradiária e eficiência fiscal”, afirmou o executivo, durante o B3 Week 2026. “A educação é primordial. Você pode ter o melhor produto, mas se não educar o mercado, vai falhar.”
Rohan Reedy, diretor de desenvolvimento de negócios internacionais e estratégia corporativa na Global X, lembra também que para o desenvolvimento do mercado de ETFs nos Estados Unidos, anos atrás, o governo americano alterou a forma de comissionamento dos assessores e consultores financeiros para taxas (fee-based). “Essa foi uma das mudanças. A segunda, que foi uma grande mudança de mercado em 2018, foi quando a Charles Schwab [corretora de valores americana] decidiu fazer negociação sem comissão para ETFs nos EUA. E então todos os outros corretores seguiram isso. E isso realmente levou muitos investidores de varejo a olhar para os ETFs.”
Reedy coloca a inovação dos produtos como outro ponto de suporte para o desenvolvimento do mercado no Brasil: “A alta taxa de juros representa um desafio, mas também uma oportunidade para inovar em produtos que ofereçam rendimentos atrativos. A criação de portfólios, modelos e o uso de tecnologia para desenvolver produtos sofisticados são caminhos promissores”, afirmou.
A regulação também desempenha um papel vital. Nos EUA, mudanças regulatórias facilitaram o lançamento de ETFs, permitindo uma rápida proliferação de produtos. No Brasil, ajustes na regulamentação fiscal poderiam tornar os ETFs mais atraentes, simplificando a declaração de impostos e aumentando sua eficiência.
Luiz Masagão, vice-presidente de produtos e clientes da B3, reforça a importância da melhoria na tributação sobre os ETFs para ajudar no crescimento da indústria. “Isso é algo que precisamos evoluir, desenvolver e evoluir em nosso ambiente regulatório brasileiro porque, mesmo que seja eficiente em termos fiscais, é mais complicado no Brasil declarar renda em um produto negociado em bolsa do que em um produto não negociado em bolsa. Mas nós, como B3, estamos trabalhando muito com a Receita Federal do Brasil para ver se podemos mudar isso e trazer esse benefício para os ETFs”, afirmou.
Contato: eduardo.puccionni@estadao.con
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