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Em SC, deputados criticam deputado do PL que propôs homenagem a PMs que agrediram candidata

17 de setembro de 2026

Por Maria Magnabosco, especial para a Broadcast

Florianópolis, 17/09/2026 – Deputados estaduais de Santa Catarina criticaram uma moção apresentada pelo deputado Sargento Lima (PL) para homenagear dois policiais militares envolvidos na abordagem em que a candidata a segunda suplente ao Senado Fernanda Klitzke (PT) foi derrubada, chutada e atingida por disparos de munição de impacto controlado em Jaraguá do Sul, no último sábado (12). A atuação dos agentes é investigada pela Corregedoria-Geral da Polícia Militar de Santa Catarina.

A Moção protocolada por Sargento Lima na segunda-feira (14), propõe “aplauso por ato de bravura” aos cabos Rafaela Natália Branco e Clovis Kaue Weber. O texto afirma que os dois prestaram “relevantes serviços” à comunidade de Jaraguá do Sul durante a ocorrência. A proposição segue aguardando discussão e votação no plenário da Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc).

Na justificativa, Sargento Lima afirma que Weber atuou “diretamente na abordagem e na contenção dos envolvidos” e manteve a “condução técnica da ocorrência” diante do que o documento classifica como “resistência” e “conduta agressiva”. Em relação a Rafaela, a proposta sustenta que a policial sofreu uma lesão em razão da interferência física de terceiros e permaneceu em serviço até o fim da ocorrência.

A moção entrou na Ordem do Dia da sessão de terça-feira (15), mas não chegou a ser votada por falta de quórum. A proposta provocou reação de parlamentares de esquerda. As deputadas Luciane Carminatti (PT) e Carolline Sardá (PSOL) criticaram a iniciativa durante a sessão. Carminatti apresentou ainda uma moção de “contrariedade à atuação” dos mesmos dois policiais na ocorrência de Jaraguá do Sul.

Líder da bancada do PT na Alesc e presidente estadual da sigla, Fabiano da Luz também classificou a homenagem como “absurda”. “Não podemos permitir que se faça uma homenagem a policiais que agrediram uma mulher desarmada, numa abordagem que não oferecia riscos. Esse caso precisa ser investigado pela Corregedoria da Polícia Militar”, afirmou.

“Poderia ter acontecido com qualquer outra mulher, com a minha mãe, minha esposa, minhas filhas e minhas netas. Vejo tudo isso com muita preocupação”, acrescentou.

A bancada do PT apresentou ainda um pedido de informações ao governador Jorginho Mello (PL), ao Comando-Geral da Polícia Militar e à Secretaria de Segurança Pública. Os deputados cobram, em nove pontos, esclarecimentos sobre o emprego da força e de munições durante a ocorrência, a cadeia de comando da operação e a eventual utilização de câmeras corporais pelos agentes.

Vídeos da ocorrência mostram Fernanda sendo imobilizada e, já no chão, atingida por chutes e disparos. A Polícia Militar afirma que houve resistência durante a abordagem e informou que as circunstâncias e a atuação dos policiais serão apuradas pela Corregedoria-Geral da corporação.

O governador Jorginho Mello, candidato à reeleição pelo PL, saiu publicamente em defesa da Polícia Militar. Em vídeo divulgado nas redes sociais, afirmou que “a esquerda tentou montar uma grande armadilha” contra a corporação e apresentou o relato da moradora que acionou a PM por causa de som alto.

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