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Eleições em Análise: Flávio perde trunfo de não ser investigado, mas amortiza com confusão no STF

11 de setembro de 2026

Por Naomi Matsui

O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) propalava aos quatro ventos não ser alvo de investigações. “Não sou investigado em absolutamente nada. Eu não devo absolutamente nada para ninguém”, disse, em junho, durante um evento organizado pela Veja, em São Paulo. A frase se tornou versátil para falar desde “Dark Horse” ao caso das rachadinhas na Assembleia Legislativa do Rio.

Além de problemática – já que qualquer pessoa com mandato eletivo deve explicações à população -, a declaração deixou de ser verdadeira, após tornar-se público que Flávio é investigado desde julho no inquérito da Polícia Federal sobre os valores doados pelo ex-dono do banco Master, Daniel Vorcaro.

A apuração balança o roteiro pré-definido usado até agora pelo “Zero Um” para tirar o corpo do caso Master. 1) dizer que não é investigado; 2) falar que “Dark Horse” não recebeu dinheiro público; 3) admitir que o filme recebeu recursos de Vorcaro, mas que não implicou contrapartida; e 4) acusar Lulinha de, sim, ter oferecido a Vorcaro favorecimentos por meio da estrutura pública e que, portanto, é o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) quem deve explicações.

Os dois primeiros elementos estão nas cordas: Flávio é formalmente investigado, e há suspeitas da Polícia Federal de que pode ter havido destinação de emendas parlamentares para o financiamento de “Dark Horse”. Ser investigado não deve fazer Flávio recuar nos ataques a Lulinha e a Lula pelas relações com o Master e o candidato deve, a partir de agora, focar nos pontos 3 e 4.

O próprio coordenador de campanha do candidato, o senador Rogério Marinho (PL-RN), afirmou ao Broadcast Político que Flávio deve manter a toada atual até o 1° turno. Segundo ele, tudo está dando certo.

De fato, nem tudo é má notícia no reino bolsonarista. Flávio segue pontuando bem nas pesquisas de intenção de voto e ganhou de presente a cartada de apenas adequar suas falas e poder reforçar uma de suas principais bandeiras: o discurso anti-Supremo Tribunal Federal.

A estratégia já foi adotada nos últimos dias, quando recheou seus atos de campanha com falas contra o ministro Flávio Dino, ao dizer que o magistrado deu uma “terceira facada” simbólica no bolsonarismo.

A confusão no STF também fez Flávio se sentir na liberdade de emular os discursos messiânicos de Jair Bolsonaro (PL). “Hoje o último obstáculo para que o Brasil não vire uma ditadura de vez chama-se Flávio Bolsonaro. É o Flávio Bolsonaro que vai resgatar a democracia. É o Flávio Bolsonaro que vai proteger o Supremo de pessoas como o Alexandre de Moraes”, disse, durante visita a Boa Vista (RR).

A 23 dias da eleição, porém, Flávio ainda deve explicações sobre como resgatará a democracia se sequer detalhou o uso dos recursos que captou junto a Vorcaro.

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