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16 de setembro de 2026
Por Gabriel Azevedo
São Paulo, 16/09/2026 – O presidente da Associação Nacional dos Confinadores (Assocon), Maurício Velloso, criticou nesta quarta-feira barreiras impostas pela União Europeia (UE) a produtos brasileiros e defendeu mais diálogo comercial entre o bloco e o Brasil. Segundo ele, a competitividade do agronegócio brasileiro tende a continuar gerando resistência em países e regiões que disputam os mesmos mercados.
“Continuaremos a receber pedra, principalmente de quem não se faz eficiente, que é o caso específico da União Europeia”, afirmou Velloso durante o 6º Fórum Pecuária Brasil, promovido pela Datagro, em São Paulo. O dirigente classificou como “patética” a postura do bloco e acusou a UE de tentar manter uma relação “colonialista” com o Brasil.
A declaração ocorre em meio a um período de atrito entre Brasil e União Europeia na área de proteínas animais. Desde 3 de setembro, o bloco passou a exigir o cumprimento de regras sobre o uso de medicamentos antimicrobianos na produção animal, o que resultou na retirada do Brasil da lista de países autorizados a exportar carne bovina, de frango e suína, além de mel, pescado e ovos ao mercado europeu. O governo brasileiro disse estar “profundamente preocupado” com a medida e mantém negociações técnicas e políticas com autoridades europeias para reverter a suspensão.
A restrição, porém, não é consensual dentro do continente europeu. O Reino Unido, que deixou a União Europeia com o Brexit, decidiu manter as compras de carne brasileira e conduzir auditoria própria sobre o sistema sanitário nacional, com prazo até fevereiro de 2027 para concluir se mantém o mercado aberto. Na Itália, o ministro das Relações Exteriores, Antonio Tajani, defendeu nesta semana a redução de barreiras comerciais com o Brasil e a busca de diálogo diplomático para equacionar o impasse, embora entidades locais de produtores tenham se posicionado a favor da suspensão europeia, sob o argumento de reciprocidade comercial.
Na avaliação do presidente da Assocon, a ampla presença da carne bovina brasileira no exterior reduz a exposição do setor a mercados específicos. Ele lembrou que o produto chegou a 177 países em 2025. “Todo tipo de carne, da ponta do rabo até a ponta do focinho, serviu para 177 países”, afirmou.
Dados da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) mostram que o Brasil exportou 3,5 milhões de toneladas de carne bovina para 177 países no ano passado, volume 20,9% superior ao de 2024. A receita alcançou US$ 18 bilhões. A China foi o principal destino, com 1,68 milhão de toneladas, seguida por Estados Unidos (271,8 mil toneladas), Chile (136,3 mil toneladas), União Europeia (128,9 mil toneladas) e Rússia (126,4 mil toneladas).
Velloso afirmou ainda que o confinamento brasileiro ganhou eficiência e passou a servir de referência para outros países. Segundo ele, produtores nacionais que antes tinham Estados Unidos e Austrália como modelos desenvolveram sistemas próprios e elevaram o nível técnico da atividade, o que ajuda a explicar a diversificação recente dos destinos de exportação.
Ao fim da fala, o dirigente defendeu maior coordenação entre os diferentes elos da cadeia da carne bovina. Para Velloso, produtores, indústria e demais agentes precisam atuar de forma mais integrada para ampliar a competitividade do setor e preservar margens positivas ao pecuarista, sobretudo diante do risco de novas barreiras sanitárias em outros mercados.
Contato: gabriel.azevedo@estadao.com
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