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Caiado: Flávio Bolsonaro também não tem condição de ser um pacificador do País

16 de setembro de 2026

Por Daniel Tozzi

São Paulo, 16/9/2026 – O candidato à Presidência pelo PSD, Ronaldo Caiado, disse nesta quarta-feira que, diante da crise que o Supremo Tribunal Federal atravessa, o País precisa de um “pacificador”. Caiado criticou o que considera ser omissão do atual presidente, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nesse sentido, mas também disse que o senador e presidenciável Flávio Bolsonaro (PL) não tem condições de ser esse “pacificador”. “Qual é a condição que ele [Flávio] tem? Se governa pacificando, mas com autoridade moral e você buscando os poderes e construindo uma saída para seu País”, disse.

Questionado sobre o escândalo do filme Dark Horse e o pedido de Flávio Bolsonaro ao ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, para financiar a obra, Caiado disse que tem acompanhado as investigações, mas que um candidato à presidência hoje deve estar “acima de qualquer suspeita”. “Para ser presidente da República hoje, o cidadão não tem direito de pedir nem a presunção de inocência. Ele tem que estar acima de qualquer suspeita. Ele tem que ter mãos limpas para poder governar”, disse.

Na avaliação do ex-governador de Goiás, diante de toda a crise que estava se desenhando em relação ao Supremo Tribunal Federal (STF), o atual presidente deveria ter se “antecipado aos fatos” e pensar em uma saída institucional.

“Estamos vendo o Brasil simplesmente caminhar fora de rumo, batendo cabeça por todos os lados. E não vemos uma autoridade para chegar e pedir um pronunciamento em rede de televisão e rádio e fazer um pronunciamento à nação”, disse Caiado. “Se o presidente não estivesse com as mãos sujas, ele teria que ter feito um pronunciamento à nação. Eu teria chamado todos os membros [dos Poderes] no Palácio do Planalto dizendo que respeito o Supremo. Mas que esse é um problema de governabilidade. Nós não podemos admitir isso”, disse Caiado, acrescentando que a crise no Supremo afeta a credibilidade de todo o Judiciário.

As declarações foram feitas por Caiado em coletiva de imprensa após um almoço com um grupo empresários em São Paulo, organizado pelo grupo YPO, comunidade global de liderança composta por CEOs e executivos. Além de Caiado, o candidato a vice na chapa, Gilberto Kassab, também participou do almoço.

Segundo Caiado, os principais temas tratados fora, além de economia, a atual situação institucional e a crise no Supremo. “A pauta dominante foi esse momento em que o Brasil vive e se sente totalmente à deriva”, detalhou Caiado.

Ao falar sobre economia, o ex-governador de Goiás disse que as preocupações dos empresários durante o almoço foram com a taxa de juros, cujo novo nível será decidido no início da noite de hoje, após decisão do Comitê de Política Monetária (Copom). Como alternativa para possibilitar a queda da Selic, Caiado repetiu que é preciso que o governo gaste menos. Nesse sentido, o presidenciável reforçou que defende a proposta de limitar o crescimento das despesas públicas à metade do crescimento econômico do ano anterior, além de promover cortes em todos os Poderes, após a aprovação de uma reforma administrativa.

Contato: daniel.mendes@estadao.com

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