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André Esteves: Volume de títulos isentos no Brasil é um absurdo, está errado

14 de setembro de 2026

Por Eduardo Laguna e Gabriela Jucá

São Paulo, 14/09/2026 – O chairman e sócio-fundador do BTG Pactual, André Esteves, criticou hoje o volume de títulos isentos no Brasil, propondo que o tema entre no debate fiscal, embora ele seja detentor desses títulos. “O volume de títulos isentos no Brasil é completamente absurdo […] Isso tem a ver com receita”, disse o banqueiro, ao defender, durante seminário da Esfera, que a discussão sobre arrecadação não pode ignorar distorções tributárias e subsídios embutidos no sistema.

Segundo Esteves, o ajuste fiscal inevitavelmente envolve duas frentes – despesas e receitas -, mas deve preservar o objetivo de não elevar a carga tributária. “O crescimento da despesa foi de uma ordem que, obviamente, é insustentável”, afirmou o sócio do BTG, cobrando também cortes nos gastos.

Ele acrescentou que, entre as medidas necessárias, haverá ações “dos dois lados”, mas com prioridade para “privilegiar o não aumento da carga tributária”, que ele classificou como alta para o estágio de desenvolvimento do País.

Ao projetar os desafios do próximo governo, Esteves também apontou que parte do reequilíbrio pode vir de mudanças de gestão e de eficiência, sem viés ideológico. Para exemplificar, citou as vinculações constitucionais para saúde e educação, argumentando que elas podem levar a alocações pouco racionais em diferentes realidades locais. “Há coisas tão simples para aumentar a eficiência do gasto público, que são não ideológicas, não partidárias; não tem esquerda, nem direita”, afirmou.

O banqueiro disse esperar estabilidade institucional no período eleitoral, destacando que previsibilidade é um ativo para a economia. “Estamos aí na véspera de uma eleição: dois candidatos de polos ideológicos muito diferentes. E, para a estabilidade do mercado financeiro, o mínimo é não acontecer nada de muito diferente”, declarou, afirmando que a normalidade democrática é uma conquista da sociedade.

Para ele, o País tende a avançar de forma gradual, sem “saltos” repentinos, mas com espaço para uma agenda de transformação centrada na redução do custo financeiro. “Vivemos uma grande transformação nos anos 90, que foi o fim da inflação. Agora, precisamos do fim dos juros abusivos, e tem um caminho para isso”, disse Esteves, apontando o equilíbrio fiscal como a receita para a redução dos juros. Em sua avaliação, a queda sustentável dos juros depende de condições tanto fiscais quanto institucionais, com o Banco Central reagindo à evolução do mercado e das expectativas.

Contatos: eduardo.laguna@estadao.com; gabriela.silva@estadao.com

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