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17 de setembro de 2026
Por Marya Marcondes, do Estadão
Brasília, 17/09/2026 – Os deputados federais que concentraram os maiores volumes de votos nas eleições de 2022 e que voltam às urnas em 2026 registraram, em média, um aumento de 1.581% em seus patrimônios ao longo de quatro anos de mandato. É o que aponta o levantamento feito com base nas declarações de bens apresentadas ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por meio da plataforma DivulgaCandContas.
Regulamentado pelo Decreto Legislativo nº 172/2022, o subsídio bruto mensal de um deputado federal é de R$ 46.366,19. O cargo também confere acesso a benefícios atrelados ao exercício do mandato, como a Cota Parlamentar (CEAP), que varia de R$ 41 mil a R$ 45 mil mensais para custeio de atividades e o auxílio-moradia de R$ 4.253,00 para aqueles que não utilizam os apartamentos funcionais em Brasília.
Nikolas Ferreira
O deputado federal Nikolas Ferreira (PL), o mais votado do país em 2022 (1,49 milhão de votos), chega às eleições de 2026 com R$ 3,9 milhões em bens declarados à Justiça Eleitoral, incluindo um imóvel de R$ 2,2 milhões e diversas aplicações financeiras. Na declaração apresentada pelo mineiro em 2022, quando disputou uma vaga na Câmara dos Deputados, o patrimônio informado era de R$ 36.820,46, um crescimento de 10.491,94% no período.
Procurado, o parlamentar não se manifestou.
Ricardo Salles
Ricardo Salles (Novo), que obteve 640 mil votos para a Câmara em 2022 e agora é candidato ao Senado, informou à Justiça Eleitoral um patrimônio de R$ 9,05 milhões em 2026. Há quatro anos, o ex-ministro havia declarado R$ 3,97 milhões. O crescimento de 128% é puxado por aquisições imobiliárias de alto valor. A atual declaração de Salles lista um imóvel rural no interior de São Paulo (R$ 2,9 milhões), um imóvel rural em Portugal (R$ 3 milhões) e uma casa residencial na capital paulista (R$ 3,15 milhões).
Procurado, ele não se manifestou. Contudo, na ocasião do registro de sua candidatura, ao ser questionado pelo Estadão, ele apontou que o aumento do patrimônio é fruto de atividade advocatícia e incorporação do resultado de investimento imobiliário no exterior.
Kim Kataguiri
O deputado Kim Kataguiri (Missão) apresentou uma alteração patrimonial de 240%. Em 2022, seus bens somavam R$ 325.896,01. Em 2026, o valor saltou para R$ 1.109.702,79. A declaração atual revela uma carteira de investimentos pulverizada, que inclui ações, fundos de investimento nacionais, criptomoedas e até 25 gramas de ouro escritural no Banco do Brasil.
Kim Kataguiri diz que o aumento se deu devido à carteira de investimentos.
Celso Russomanno
O deputado Celso Russomanno (Republicanos) praticamente dobrou seus bens declarados, passando de R$ 1,48 milhão para R$ 3,002 milhões (crescimento de 103%). A relação de 2026 é composta por dezenas de itens, com destaque para quotas de participação em empresas de comunicação, propriedades imobiliárias fracionadas e uma frota variada de veículos.
Procurado, Russomanno declarou possuir outras atividades para além do mandato e usar o salário como parlamentar para atendimento gratuito de defesa do consumidor.
Deltan Dallagnol
Na outra ponta da lista, o ex-procurador Deltan Dallagnol (Novo) apresentou a menor variação patrimonial entre os mais votados: 1,37%. Candidato ao Senado em 2026 após ter o mandato de deputado federal cassado com base na Lei da Ficha Limpa, Dallagnol declarou R$ 2.756.904,77 neste ano. Em 2022, o valor era de R$ 2.719.569,42. O acervo mantém a mesma estrutura baseada em um apartamento de R$ 1,14 milhão e cerca de R$ 1 milhão em investimentos.
Procurado, ele não se posicionou.
Tabata Amaral
A deputada Tabata Amaral (PSB) registrou um aumento de 21% em quatro anos, passando de R$ 556.700,29 (divididos entre aplicações e saldo em conta) para R$ 674.534,74 em 2026. A declaração atual inclui um imóvel financiado.
Tabata Amaral defende que o aumento é compatível, “cenário bem diferente do de outros candidatos que aparecem comprando imóveis de R$ 6 milhões em dinheiro vivo, sem que essa origem seja minimamente esclarecida”, se referindo a Flávio Bolsonaro.
Delegado Bruno Lima
O Delegado Bruno Lima (PP-SP) viu seu patrimônio crescer 82,8%, saindo de R$ 159.748,62 para R$ 292 mil, concentrados principalmente em previdência privada (R$ 202 mil) e aplicações bancárias.
Ele afirmou que a diferença declarada é compatível com os rendimentos recebidos.
Ausências na análise
Dos dez deputados mais votados em 2022, três não foram incluídos no comparativo de evolução patrimonial legislativa devido à situação política atual: Guilherme Boulos, segundo mais votado do país, abriu mão da reeleição para permanecer como ministro da Secretaria-Geral da Presidência; Carla Zambelli cumpre condenações do Supremo Tribunal Federal (STF) referentes a 2022 e 2025; e Eduardo Bolsonaro, cassado do cargo de deputado e atualmente nos Estados Unidos, encontra-se inelegível.
Todos os dados foram extraídos da plataforma DivulgaCandContas, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), com atualização até 10 de setembro de 2026. A análise filtrou os dez candidatos a deputado federal mais votados de 2022 e selecionou aqueles que registraram candidatura para o atual ciclo eleitoral, comparando as declarações oficiais e considerando os valores nominais dos dois períodos. Os valores correspondem aos bens declarados pelos próprios parlamentares à Justiça Eleitoral, considerando o custo de aquisição, e não representam necessariamente o patrimônio líquido disponível.
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