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Mais câmeras ou inteligência? IA surge no centro do debate eleitoral sobre segurança pública

Entenda como a inteligência artificial na segurança pública pode ampliar a eficiência das câmeras e melhorar a interpretação de imagens e dados.

17 de setembro de 2026

Levantamento indica que o resultado depende menos da quantidade de equipamentos e mais da capacidade de interpretar as imagens

Câmeras inteligentes ajudam no monitoramento urbano
Câmeras inteligentes ajudam no monitoramento urbano. Foto: Segurança em Pauta/Divulgação

A menos de um mês para o primeiro turno das eleições, a segurança pública conquistou protagonismo no discurso de diversos candidatos, com a ampliação das redes de câmeras entre as promessas recorrentes nas campanhas. A quantidade de equipamentos espalhados pelos municípios, porém, pode não ser o fator decisivo para a proteção da população. De acordo com um estudo, a capacidade de interpretar as imagens importa tanto quanto o tamanho da rede instalada.

Divulgado no início de setembro, levantamento da LCA Consultoria avaliou o desempenho de programas de videomonitoramento em diferentes estados. Para a comparação, a consultoria tomou como parâmetro o Smart Sampa, mantido pela Prefeitura de São Paulo, maior sistema da América Latina, com cerca de 50 mil câmeras entre equipamentos públicos e privados.

A régua usada pela consultoria foi a eficiência por câmera, ou seja, quanto cada equipamento rende em resultado. Com 972 câmeras próprias, o Olho Vivo, que opera no Paraná, obteve 21 vezes mais prisões por equipamento e recuperou 108 vezes mais veículos do que o sistema paulista. Já o IA Contra o Crime, de Goiás, rede de 577 equipamentos, chegou a 69 vezes mais prisões por câmera e 435 vezes mais veículos recuperados no mesmo comparativo.

O levantamento não confronta totais brutos de prisões ou apreensões entre os programas. Assim como ele não analisa as particularidades de cada região nem condena as iniciativas existentes. Ainda assim, os números sinalizam que instalar mais equipamentos não garante, por si só, melhores resultados.

O que explica a diferença?

A explicação está na camada de tecnologia que dá sentido às imagens. Sistemas mais antigos dependem, em grande parte, da leitura de placas e do reconhecimento facial. Já as novas plataformas de segurança pública vão além, cruzam essas informações com um conjunto maior de dados e devolvem respostas mais precisas às equipes em campo. 

A tecnologia adotada no Paraná e em Goiás foi desenvolvida pela startup brasileira Pax. A empresa nasceu em 2024 como Paladium, com a proposta de construir do zero uma tecnologia brasileira para segurança pública, e adotou a nova marca em março deste ano, quando foi anunciada oficialmente ao mercado.

Na prática, a solução funciona assim: imagine um assalto em que ninguém conseguiu anotar a placa. O que resta à vítima e às testemunhas é a memória visual: a cor da lataria, um adesivo na traseira, um amassado na porta, o boné que um dos criminosos usava. 

Em linguagem comum, o policial registra na plataforma as informações descritas. O sistema então varre as câmeras disponíveis, confronta as imagens com boletins de ocorrência e mandados em aberto e dispara alertas para as equipes que estão mais próximas do ponto indicado.  

Com os dados armazenados, a vigilância com o auxílio da inteligência artificial ocorre sem interrupções. Então, o suspeito pode ser localizado minutos após a ocorrência, assim como em um outro dia, aumentando a possibilidade de solucionar os casos.  

O potencial da solução, porém, não torna as centrais de vigilância dispensáveis. O levantamento indica que a combinação entre a rede de videomonitoramento e o avanço da tecnologia que interpreta os dados pode fazer cada câmera render mais.

Portanto, na definição das próximas políticas de segurança, pesará menos a promessa de novos equipamentos e mais a forma como cada rede será administrada e como as informações coletadas serão analisadas.

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