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17 de setembro de 2026
Por Eduardo Laguna e Francisco Carlos de Assis
São Paulo, 17/09/2026 – O economista-chefe da Ágora Investimentos, Dalton Gardimam, avaliou hoje que o atual ciclo de investimentos em inteligência artificial (IA) ocorre em um ambiente distinto do de 1999, anterior ao estouro da bolha da internet, quando o alto endividamento tornou o setor de tecnologia mais vulnerável à alta de juros.
Durante congresso da Apimec, a associação dos analistas e profissionais de investimento do mercado de capitais, onde é membro da comissão de economia, Gardimam destacou que as grandes empresas de tecnologia operam com muito caixa livre, o que, considerando uma elevação limitada dos juros nos Estados Unidos, reduz o risco de um colapso abrupto. “Hoje, tem tanto caixa livre que você pode fazer o que quiser”, afirmou, ao dizer que não enxerga, neste momento, um “estouro” de uma bolha de IA.
Ainda assim, o economista enfatizou que o cenário é de grandes incertezas, com mudanças simultâneas que vão do questionamento do dólar como moeda de reserva ao redesenho do modelo industrial europeu, além de tensões geopolíticas e dúvidas sobre a capacidade de a IA elevar a produtividade.
Nesse contexto, argumentou que economistas perdidos precisam de muleta técnica para traçar cenários, como observar o comportamento da produtividade, que ainda não mostraria uma inflexão clara desde a popularização recente das ferramentas de IA.
Gardimam ponderou que, na falta de crença do poder destrutivo ou construtivo da IA, o foco dos economistas se volta às decisões do Federal Reserve, o banco central dos EUA. Sem a confirmação de um choque de produtividade capaz de alterar estruturalmente a economia, as atenções, reforçou, se voltam a juros e inflação.
Ele citou sinais de postura mais dura do Federal Reserve diante do nível de preços acima da meta e admitiu que o banco central americano pode promover novos ajustes. O economista considera que o presidente do Fed, Kevin Warsh, foi contundente ontem no diagnóstico de que o nível de preços está muito alto.
Na leitura do economista, os desdobramentos da política monetária americana também impactam o câmbio e o fluxo para emergentes. Ele avaliou que, com redução do diferencial de juro, dólar deve se valorizar um pouco, exigindo atenção adicional de países como o Brasil, sobretudo se houver deterioração do ambiente externo.
Contatos: eduardo.laguna@estadao.com; francisco.assis@estadao.com
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