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17 de setembro de 2026
Por Bruna Camargo
São Paulo, 17/09/2026 – O mercado de investimentos deve migrar para um modelo híbrido de remuneração de seus profissionais, com os clientes optando pelo modelo transacional ou de comissionamento por produto, ou pelo modelo fee based, de acordo com suas necessidades. O mais importante será reforçar a transparência nos dois casos. A avaliação é de Juliana Laham, membro do conselho de administração da Associação Brasileira de Planejamento Financeiro (Planejar) e head global de soluções de investimentos do Bradesco.
“Sempre vai haver modelos de execução de autosserviço, transacionalmente, e de uma taxa cobrada. Devemos migrar para um híbrido. O mesmo cliente vai ter demandas de diferentes produtos: em alguns ele se auto serve, em outros ele está disposto a pagar uma taxa. Mas, independente da forma como o cliente é cobrado, a transparência é o mais importante. Ele precisa saber do que está sendo cobrado”, afirmou Laham, durante painel do Congresso Internacional Planejar, que acontece hoje em São Paulo.
Segundo a executiva, conflito de interesses vai acontecer em qualquer modelo de remuneração, mas é preciso que o cliente esteja ciente de todos. Sobre isso, ela avalia que a regra 179 da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), foi um presente. “Escancarou a forma como fazemos negócio”, afirma Laham.
Ela conta que, no Bradesco, há um fórum apartado de governança, blindado, que apoia nas atitudes pelo melhor interesse do cliente. Laham destaca haver um esforço para separação de interesses em relação ao banco. “Cerca de 70% ou 80% da recomendação é de produtos que não são estruturados pelo Bradesco, ou de fundos do Bradesco. Não adianta oferecer um produto conflitado. Hoje há muitos comparativos, se perde muito da reputação com o cliente. Dá para fazer direito e todo mundo ganhar dinheiro”, diz a executiva.
Na mesma linha, Tatiana Itikawa, superintendente de representação de mercados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), diz que o profissional de investimentos, mesmo em modelo fee based, deve tomar cuidado com a discussão sobre qual remuneração estabelecer, pois a taxa precisa passar pela centralidade do investidor. “A discussão precisa passar sobre o que é melhor para o cliente. Não adianta colocar a remuneração que é melhor para mim. O profissional pode até ganhar dinheiro no curto prazo, mas é um problema de imagem para o mercado.”
Contato: bruna.camargo@estadao.com
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