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Datagro/B3: Bolsa avalia contrato de boi magro e extensão do pregão de boi gordo

16 de setembro de 2026

Por Gabriel Azevedo

São Paulo, 16/09/2026 – A B3 estuda a criação de um contrato ligado ao boi magro e pretende ampliar o horário de negociação dos contratos de boi gordo, em meio ao forte crescimento das operações com a commodity. A coordenadora de produtos da bolsa, Camila Faria de Castro, disse que a instituição vê espaço para desenvolver uma ferramenta que permita ao pecuarista proteger, além do preço de venda do animal terminado, também o custo da reposição.

Segundo Camila, um eventual contrato de boi magro poderia ser combinado com os instrumentos já existentes de boi gordo e milho, permitindo uma proteção mais ampla dos custos de recria e confinamento. A executiva ressalvou que o produto ainda depende de estudos de demanda e de discussões com pecuaristas, indústria, corretoras e demais participantes do mercado antes de uma eventual listagem. “O boi magro é uma oportunidade”, afirmou durante o 6º Fórum Pecuária Brasil, promovido pela Datagro, em São Paulo.

A bolsa também pretende estender o horário de negociação do boi gordo. Atualmente, as operações vão até as 16h30, quando ocorre uma parada técnica antes da abertura das negociações referentes ao dia seguinte, às 17h. A proposta é levar o encerramento da primeira janela para 17h10, acrescentando cerca de 40 minutos de negociação depois da divulgação do preço de referência do mercado.

As iniciativas acompanham o aumento da negociação do contrato de boi gordo na B3. O volume médio passou de aproximadamente 3 mil contratos por dia em 2020 para cerca de 11 mil atualmente, segundo Camila. O número de posições em aberto, que indica contratos mantidos pelos participantes além do próprio dia da operação, saiu de 7 mil em 2018 para 58 mil, crescimento de 680%.

A executiva também apresentou uma comparação entre o volume negociado na bolsa e o tamanho do mercado físico. Segundo ela, os contratos futuros e de opções movimentados em 2025 corresponderam a cerca de 95% do volume estimado de abate bovino no País, ante aproximadamente 70% em 2024 e 60% em 2023. O cálculo considerou abate nacional equivalente a 11,85 milhões de toneladas no ano passado.

“É um marco muito relevante”, disse Camila. Ela atribuiu parte do avanço à mudança do indicador de referência do contrato, realizada entre o fim de 2024 e o início de 2025, e a alterações feitas pela B3, como redução das margens exigidas nas operações e simplificação das regras para formadores de mercado.

A valorização do boi gordo também aumentou a procura por instrumentos de proteção. Segundo os dados apresentados no painel, a arroba saiu de cerca de R$ 198 em janeiro de 2020 para R$ 345 a R$ 350 atualmente. Os contratos para novembro e dezembro indicavam preços na faixa de R$ 380 a R$ 385 por arroba.

Camila afirmou ainda que a B3 pretende ampliar a liquidez no mercado de opções de boi gordo, hoje menos desenvolvido que o de contratos futuros. A estratégia inclui a atração de formadores de mercado e de novos participantes, especialmente pecuaristas, investidores estrangeiros e gestores de recursos. Pessoas físicas representam hoje cerca de 40% do volume diário negociado no contrato.

Segundo a executiva, ainda há espaço para aumentar a participação direta dos produtores. “Tem muito pecuarista que ainda não faz a operação na Bolsa, que ainda não enxerga nos derivativos uma ferramenta de gestão e de proteção de preços”, afirmou. A B3 também vê potencial de crescimento entre investidores estrangeiros e institucionais interessados na exposição ao mercado brasileiro de carne bovina.

Contato: gabriel.azevedo@estadao.com

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