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Millennials ganham protagonismo e assessor deve começar conversa desde cedo, diz J.P.Morgan Asset

16 de setembro de 2026

Por Bruna Camargo

São Paulo, 16/09/2026 – A geração millennial, que atualmente tem idade na faixa entre 30 e 45 anos, deve ser uma das grandes beneficiárias da chamada onda prateada, ou seja, a grande transferência de riqueza da geração de baby boomers, com trilhões de dólares que vão trocar de mãos nos próximos anos. Por outro lado, os millennials têm enfrentado mais desafios macroeconômicos. Assim, um assessor de investimentos do futuro vai precisar ter sensibilidade para atuar com os dois perfis e começar o relacionamento desde cedo. A avaliação é de Marina Valentini, estrategista de mercados globais do J.P. Morgan Asset.

“Os millennials estão se posicionando para receber a maior transferência de riqueza da história, o silver tsunami, no qual até 2048 mais de US$ 100 trilhões de dólares vão passar dos baby boomers para outras gerações. Então é importante começar a relação com os millennials e com a geração Z desde muito cedo”, afirmou Valentini, durante painel no Avenue Conference, que acontece hoje em São Paulo. Ela acrescenta que não é dado que o assessor do pai também será escolhido como assessor do filho. “Nos Estados Unidos só 20% dos clientes ficam com o mesmo assessor que os pais deles.”

Segundo a estrategista, os millennials já são a maior geração dos Estados Unidos, com 73 milhões de pessoas, a maioria em seus picos de carreira e na fase de maior acumulação de patrimônio. “É importante que o assessor aprenda a lidar com essa geração: o que a move, o que consome, quais seus desafios”, afirma Valentini, acrescentando que, nesse cenário, conversas de sucessão e de planejamento de orçamento e tributário, ganham mais importância.

Por outro lado, a estrategista diz que a foto é desigual, dado que a onda prateada de transferência de riqueza não vai chegar a todos os millennials: alguns vão herdar patrimônio, enquanto outros apenas vivem em meio a uma situação macroeconômica mais difícil, com custo de vida alto e dificuldade em conseguir emprego. “O assessor do futuro tem que ser muito sensível com cada grupo”, avalia Valentini.

No entanto, a oportunidade está dada, na avaliação da J.P. Morgan Asset. A estrategista lista alguns motivos, como o fato do pessimismo econômico entre millennials incentivar o doom spending, no qual as pessoas consomem em e-commerce para se sentir melhor, e a abertura da geração para falar sobre investimentos e diversificação internacional, especialmente por meio de veículos inovadores, como ETFs.

Para o assessor, o desafio será chegar cada vez mais preparado e munido de informações para a conversa com o investidor. “As novas gerações querem que o assessor as empodere. Elas querem sentir que o assessor guiou com informações e ferramentas, mas não está tirando o poder de decisão”, destaca Valentini.

Contato: bruna.camargo@estadao.com

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