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15 de setembro de 2026
Por Daniel Tozzi
São Paulo, 15/9/2026 – A ex-presidente da Caixa e coordenadora da área econômica do presidenciável Flávio Bolsonaro (PL), Daniella Marques, afirmou nesta terça-feira que o problema do País hoje não é o gasto com programas sociais, como o Bolsa Família, e sim “o resto da bagunça”.
Nesse sentido, ela voltou a criticar o que considera ser excesso de gastos da atual administração federal, e citou que um ajuste fiscal depende de medidas como corte de cargos comissionados e venda de patrimônio da União.
Segundo Daniella Marques, foram medidas de diminuição de “custeio da máquina” adotadas durante a administração do ex-presidente Jair Bolsonaro que possibilitaram que o valor do Bolsa Família passasse de R$ 190 para os R$ 600. “A gente enxugou, logo que chegou, em março de 2019, cortamos 20 mil cargos comissionados. Foi ali que o Bolsa Família saiu de R$ 190 para R$ 600”, disse ela, sem, no entanto, mencionar que o valor do Bolsa Família foi corrigido apenas em 2021, em meio à pandemia.
“Então não tem desculpa: o Brasil está com R$ 10 trilhões de dívida e os programa sociais custam R$ 300 bilhões por ano. O problema não é o programa social, o problema é o resto da bagunça”, acrescentou ela, salientando, também, que é preciso trabalhar em mecanismos que possibilitem a saída do programa. As declarações foram feitas ao Anima Podcast.
A ex-presidente da Caixa também destacou que, mesmo enfrentando uma pandemia, o governo de Bolsonaro conseguiu diminuir o tamanho da dívida pública em relação ao Produto Interno Bruto (PIB) ao longo dos quatro anos de mandato. Segundo Marques, os investidores que financiam a dívida pública brasileira estão sem confiança de que o País pode arcar com os compromissos fiscais e, por isso, os juros são altos, o que leva ao endividamento das famílias.
Reforma tributária
A coordenadora da área econômica de Flávio Bolsonaro também voltou a criticar a aprovação da reforma tributária, nos moldes em que a medida foi feita. Além de criticar a alíquota perto de 28% do futuro Imposto de Valor Agregado (IVA), Marques mencionou que haverá um alto de custo operacional para manutenção do Comitê Gestor, órgão autônomo que será responsável por administrar, regular e distribuir a arrecadação do novo Imposto sobre Bens e Serviços (IBS).
“No Orçamento mandado por eles, são R$ 2,3 bilhões. Esse é o custo administrativo e operacional do comitê que vai administrar a reforma. O que você pode fazer com um dinheiro desse?”, questionou.
6 por 1
Durante o podcast, Daniella Marques disse ainda que a promessa de fim da escala 6 por 1 é uma “mentira” do atual governo. Além de criticar o fato de a nova escala estar sendo imposta sem levar em consideração funções específicas, a garantia dos dias de descanso semanal tendem a levar a perda de postos de trabalho no País. “Se a pessoa quer entregar pacote no Mercado Livre de domingo a domingo, o problema é dela”, disse ainda a ex-presidente da Caixa.
Contato: daniel.mendes@estadao.com
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