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Fipe/Bionexo: inflação dos medicamentos para hospitais recua 0,05% em agosto

15 de setembro de 2026

Por Francisco Carlos de Assis

São Paulo, 15/09/2026 – Pela segunda vez consecutiva, os preços dos medicamentos comprados por hospitais ficaram mais baixos. Em agosto, segundo o Índice de Preços de Medicamentos para Hospitais (IPM-H), o desembolso para aquisição dos medicamentos foi 0,05% menores comparativamente a julho que, na margem, já havia sido 0,69% menores que junho.

Calculado pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) a partir de dados da plataforma Bionexo 360º, da Bionexo Tasy, o IPM-H mostra que, no agregado, o comportamento dos preços esconde movimentos contrastantes entre os grupos terapêuticos monitorados. Dos 12 grupos monitorados, sete registraram alta no mês em análise e cinco tiveram queda, evidenciando uma dinâmica heterogênea na cesta de compras hospitalares.

“Mesmo com uma variação pequena do índice geral, os hospitais continuam lidando com movimentos bastante diferentes entre os grupos de medicamentos. Para a gestão de suprimentos, acompanhar essas oscilações de forma mais granular é fundamental para planejar as compras, antecipar pressões de custo e identificar oportunidades de negociação”, afirma o diretor de Estratégia e Inteligência de Mercado da Bionexo Tasy, Herbert Cepêra.

O economista e pesquisador da Fipe, Bruno Oliva, chama a atenção para o fato de que a retração dos preços dos medicamentos em agosto ficou bem menos intensa do que a retração média de 0,81% observada para o mês no histórico de 2015 a 2025.

“Ao mesmo tempo, sete dos 12 grupos terapêuticos registraram alta e cinco apresentaram queda, mostrando que o resultado agregado refletiu movimentos bastante distintos entre os componentes da cesta. Também chama atenção o contraste com o varejo, onde os produtos farmacêuticos do IPCA avançaram 0,21% no mês. Embora sejam mercados distintos, essa diferença sugere que a dinâmica dos preços negociados entre hospitais e fornecedores pode refletir condições específicas de oferta e demanda, a composição das compras e as características de cada grupo terapêutico”, diz Oliva.

Entre as altas, o principal destaque em agosto foi o grupo de sangue e órgãos hematopoiéticos, com avanço de 4,08%. Na sequência vieram órgãos sensitivos , com 1,47%; aparelho geniturinário, com elevação de 1,08%; sistema nervoso, 0,84%; sistema musculoesquelético, com alta de 0,26%; preparados hormonais, 0,17% e anti-infecciosos gerais para uso sistêmico, que ficaram ligeiro 0,04% mais caros.

Do lado das quedas, recuaram aparelho cardiovascular, em 1,17; agentes antineoplásicos, 0,70%; imunoterápicos, vacinas e antialérgicos, com queda de 0,47%; aparelho respiratório, 0,40% e aparelho digestivo e metabolismo, com queda de 0,35%.
Como pano de fundo do ambiente de preços, o IPCA caiu 0,32% em agosto e o IGP-M recuou 0,22%. Dentro do IPCA, no entanto, produtos farmacêuticos subiram 0,21%. A taxa média de câmbio avançou 0,70% no mês, indicando leve depreciação do real ante o dólar.

“Embora não determinem diretamente o comportamento do IPM-H, esses indicadores ajudam a contextualizar fatores que podem influenciar o mercado hospitalar”, pondera o economista da Fipe.

Com o resultado de agosto, o IPM-H acumula queda de 0,76% em 2026. Em 12 meses, o IPM-H acumula queda de 2,77% e permanece em terreno negativo desde outubro de 2025. Oito dos 12 grupos terapêuticos apresentam retração no período, com destaque para imunoterápicos, vacinas e antialérgicos, 8,34%; aparelho digestivo e metabolismo, com queda de 6,12%; sistema musculoesquelético, com redução de 5,40%; anti-infecciosos gerais para uso sistêmico, 5,25% mais baratos, e sangue e órgãos hematopoiéticos, com retração de 4,08%.

As altas em 12 meses se concentram em sistema nervoso, em 3,55%; aparelho cardiovascular,2,70%; aparelho respiratório (+1,25%), e aparelho geniturinário, com aumento de 0,54%.

Contato: francisco.assis@estadao.com

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