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Crédito/BB: produtor entra em 2026/27 sob forte instabilidade de custos, preços e clima

15 de setembro de 2026

Por Isadora Duarte e Gabriel Azevedo

Brasília e São Paulo, 15/09/2026 – O produtor rural inicia a safra 2026/27 em ambiente de elevada volatilidade, com incertezas ligadas à geopolítica, aos custos dos insumos, aos preços das commodities e ao clima, avaliou o gerente de Soluções da Diretoria de Agronegócios do Banco do Brasil, Jefferson Piccini de Lima Silva. Segundo ele, o cenário aumenta a necessidade de gestão financeira, comercial e produtiva nas propriedades.

“Observamos essa grande instabilidade que está sendo vivida pelo agronegócio”, afirmou Piccini durante o evento “Perspectivas para a Agropecuária Safra 2026/27”, da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

Segundo o executivo, conflitos geopolíticos têm afetado a logística mundial e os custos de insumos, enquanto adversidades climáticas em safras do Hemisfério Norte e as incertezas sobre o comportamento do clima elevam a volatilidade dos preços agrícolas. Nesse ambiente, disse, o produtor precisa conhecer o custo efetivo de implantação e condução da lavoura, o ponto de equilíbrio da atividade e sua exposição financeira antes de definir a estratégia de comercialização.

Piccini classificou o crédito rural como “ator fundamental” para enfrentar esse cenário. Além dos recursos de custeio necessários à condução das lavouras, ele destacou a importância do crédito para investimentos em tecnologias capazes de preservar produtividade e eficiência, citando irrigação, armazenagem, manejo do solo, plantio direto, energia renovável e máquinas agrícolas.

O gerente também defendeu maior uso de instrumentos de proteção financeira e comercial. “Quanto do caixa dele já está protegido para ele traçar as estratégias de comercialização, de como e quando será vendido seu produto agropecuário”, afirmou. Entre os mecanismos citados estão seguro rural, derivativos e outras ferramentas de comercialização.

Piccini citou ainda a Medida Provisória 1.376/2026 como instrumento de reequilíbrio financeiro para produtores endividados. Editada em julho, a MP autoriza a criação de linhas de crédito para liquidação ou amortização de dívidas de crédito rural e de Cédulas de Produto Rural (CPRs) de produtores e cooperativas afetados por eventos climáticos adversos ou pela queda dos preços de comercialização. Para acesso às linhas, a regra geral exige perdas em pelo menos duas safras entre 2019 e 2025 e redução mínima de 30% da renda bruta agropecuária esperada. O prazo de pagamento pode chegar a oito anos e, nos casos de perdas mais severas, a dez anos. A medida está em vigor enquanto tramita no Congresso.

Segundo Piccini, a medida oferece ao produtor a possibilidade de reorganização para permanecer na atividade. “É muito importante para essa continuidade do produtor na sua atividade observar o que está acontecendo, o que está por vir e se antecipar nesses movimentos”, disse.

O executivo afirmou que o Banco do Brasil financia mais de 200 atividades agropecuárias e está presente em mais de 96% dos municípios brasileiros. Para ele, a atuação do crédito deve contribuir para proteger renda, manter a continuidade dos negócios e viabilizar investimentos em eficiência e adaptação.

Apesar do quadro de incertezas, Piccini manteve avaliação positiva para o setor. “A perspectiva é positiva e, como dito, o diferencial será a qualidade da decisão”, afirmou.

Contato: isadora.duarte@estadao.com; gabriel.azevedo@estadao.com

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