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Imcopa: Justiça dá 60 dias para novo leilão de fábricas de soja no Paraná

15 de setembro de 2026

Por Gabriel Azevedo

São Paulo, 15/09/2026 – A Justiça do Paraná deu à Imcopa, processadora de soja em recuperação judicial desde 2013, prazo de 60 dias para promover um novo leilão das unidades de Araucária e Cambé e da marca de óleo Leve. A decisão, assinada em 24 de agosto pela juíza Mariana Gluszcynski Fowler Gusso, da 1ª Vara Estadual de Falências e Recuperação Judicial de Curitiba, foi publicada no Diário da Justiça Eletrônico Nacional (DJEN) na sexta-feira (11). A companhia terá ainda 15 dias para apresentar um cronograma detalhado do certame, com modalidade de venda, medidas de divulgação, condições propostas e datas sugeridas.

O plano de recuperação prevê a venda das duas fábricas e da marca Leve como forma de pagamento das dívidas da Imcopa. Os três ativos compõem as chamadas Unidades Produtivas Isoladas (UPIs). Nesse modelo, o comprador assume os ativos sem herdar as dívidas da empresa, o que costuma facilitar a transação. Os recursos arrecadados devem custear, entre outras obrigações, as rescisões de cerca de 500 trabalhadores, que seriam desligados e recontratados pelo novo operador das fábricas. O primeiro leilão, realizado em 3 de julho de 2025, terminou sem propostas. As unidades foram ofertadas por valores mínimos que somavam R$ 1,677 bilhão.

A juíza atendeu ao pedido de prazo da Imcopa, mas afirmou que o fracasso do primeiro leilão não justifica adiar a venda sem data definida. “Admite a reorganização do procedimento de venda, mas não autoriza sua postergação por prazo indeterminado”, escreveu na decisão. Após a apresentação do cronograma, o administrador judicial, nomeado pela Justiça para fiscalizar a recuperação, terá cinco dias para avaliar a regularidade do planejamento.

A mesma decisão trata de um ponto que já gerava divergência no processo: a Imcopa vinha retomando a operação das fábricas de Araucária e Cambé, mesmo com a venda pendente. A empresa argumenta que a medida demonstra ao mercado a capacidade operacional das plantas e pode valorizar os ativos para o novo leilão. A juíza entendeu que religar as unidades não configura, por si só, descumprimento do plano, mas determinou que o administrador judicial apure os efeitos da retomada antes de qualquer conclusão.

Ele deverá informar quais plantas voltaram a funcionar e desde quando, quantos empregados foram contratados ou realocados, se licenças e seguros estão em dia, quanto foi investido na retomada e qual foi o impacto financeiro da operação. O relatório também deverá esclarecer se a medida favorece ou prejudica o novo leilão.

A decisão também determina que a Imcopa apresente, em dez dias, documentos contábeis, fiscais, financeiros, trabalhistas e operacionais pendentes, necessários para concluir os relatórios mensais exigidos durante a recuperação judicial. Segundo a juíza, as informações são essenciais para que credores e Ministério Público acompanhem a situação financeira da companhia. O descumprimento reiterado dessa obrigação, afirmou, pode levar à destituição dos administradores.

Outro ponto segue sem desfecho: a penhora sobre a marca Leve, incluída no pacote de venda. A Fazenda Nacional recorreu de decisão anterior que havia retirado a constrição do ativo. A juíza ainda não julgou o mérito do recurso e abriu prazo para que a Imcopa e o administrador judicial se manifestem sobre uma alternativa: transferir a garantia para os recursos que a Fazenda venha a receber com a venda da marca, em vez de mantê-la sobre o próprio ativo.

Fundada em 1967, a Imcopa tem capacidade para esmagar 1,5 milhão de toneladas de soja por ano e produzir 240 mil toneladas de proteína concentrada. A unidade de Cambé é habilitada para processar soja não transgênica, demandada por cadeias exportadoras ligadas à produção animal orgânica. O processo de recuperação judicial também é marcado por disputa societária entre o Grupo Petrópolis, do empresário Walter Faria, e a gestora R2C, ligada a ex-assessores de Faria, pelo controle de cerca de R$ 3 bilhões em créditos da companhia adquiridos por meio de uma offshore registrada em Luxemburgo. Em 2020, a Bunge chegou a arrematar os ativos por R$ 1 bilhão, mas o negócio foi cancelado em meio a essas disputas.

Contato: gabriel.azevedo@estadao.com

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