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Gayer diz que Moraes ‘não cairá sozinho’ e acusa esquema para blindar ministro

11 de setembro de 2026

Por Gabriel Gonçalves, especial para a Broadcast

São Paulo, 11/9/2026 – O deputado federal e candidato ao Senado por Goiás Gustavo Gayer (PL-GO) afirmou que está se formando um “esquema” para blindar o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e disse que o magistrado “não cairá sozinho” caso seja responsabilizado na crise envolvendo o Banco Master.

Em vídeo publicado no X, Gayer incluiu na suposta articulação o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o presidente do senado Davi Alcolumbre, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e os ministros Flávio Dino e Gilmar Mendes.

“Está se formando um esquema para blindar o Alexandre de Moraes, porque ele já mandou o recado para os colegas: ‘eu não vou cair sozinho'”, afirmou Gayer.

A declaração apareceu em um vídeo dedicado principalmente a minimizar a revelação de que Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência, é formalmente investigado no inquérito sobre o financiamento do filme Dark Horse, que retrata a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro, que atualmente está preso por envolvimento em uma tentativa de golpe de Estado.

Gayer classificou a notícia como “matéria requentada” e argumentou que André Mendonça já havia autorizado a investigação em julho. De fato, a abertura do inquérito foi determinada por Mendonça em 22 de julho, a pedido da Polícia Federal e após parecer favorável da Procuradoria-Geral da República. A existência e detalhes da investigação, porém, ganharam novos contornos agora, após a retirada do sigilo de documentos relacionados ao caso Banco Master.

O deputado sustentou ainda que Flávio apareceria na investigação apenas em conversas de terceiros. Os documentos divulgados, contudo, mostram uma avaliação diferente da Polícia Federal. A corporação descreve o senador como “interlocutor direto” de Daniel Vorcaro em tratativas para o financiamento de Dark Horse, com cobranças de pagamentos, reuniões presenciais e acompanhamento das gravações.

A investigação busca esclarecer suspeitas de lavagem de dinheiro, evasão de divisas, corrupção e delitos relacionados ao financiamento da produção. Flávio nega irregularidades e afirma que os recursos destinados ao filme eram privados.

Para Gayer, o fato de Mendonça ter autorizado a investigação de Flávio afastaria acusações de parcialidade contra o ministro do Supremo. “Acabou a narrativa de que o André Mendonça está agindo para interferir nas eleições a favor do Flávio”, disse.

O deputado também associou a repercussão das investigações ao desempenho eleitoral de Flávio. Como um dos argumentos, recorreu ao Polymarket, que não é uma pesquisa eleitoral, mas um mercado de previsão no qual usuários negociam contratos sobre a possibilidade de acontecimentos futuros, e afirmou que o candidato do PL estaria “10 pontos na frente” de Lula na plataforma.

A Polymarket está entre os mercados de previsão bloqueados pelo governo brasileiro desde 24 de abril. O Ministério da Fazenda considerou que esse tipo de plataforma opera em desacordo com a legislação nacional de apostas. Uma resolução do Conselho Monetário Nacional também passou a vedar contratos vinculados a eventos políticos e eleitorais.

Gayer afirmou ainda que a produtora responsável por Dark Horse apresentou milhares de documentos relativos às despesas da obra e usou a existência do filme como argumento contra suspeitas de desvios. A existência e eventual lançamento da produção, porém, não respondem por si só às questões sob investigação, que envolvem a origem, a movimentação, a destinação e os beneficiários dos recursos. A Polícia Federal apura essas circunstâncias.

Ao final do vídeo, Gayer voltou ao cenário eleitoral e disse acreditar na vitória de Flávio Bolsonaro sobre Lula. O deputado também repetiu críticas a integrantes do STF e sustentou que diferentes autoridades estariam atuando para proteger Moraes.

Contato: gabriel.goncalves@estadao.com

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