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Sebo bovino/Abra: tarifa dos EUA ameaça mercado que responde por 42% da exportação brasileira

22 de julho de 2026

Por Leandro Silveira

São Paulo, 22/07/2026 – A decisão dos Estados Unidos de manter os produtos resultantes de “reciclagem” animal fora da lista de isenções da tarifa adicional de 25% coloca em risco um mercado que responde por 42% de todas as exportações brasileiras do setor, alertou a Associação Brasileira de Reciclagem Animal (Abra). Após analisar os códigos tarifários contemplados pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), a entidade concluiu que o sebo bovino e as farinhas de origem animal permaneceram sujeitos à sobretaxa, apesar da ampliação da lista de exceções anunciada pelo governo norte-americano.

Segundo a associação, o impacto é significativo porque o principal produto exportado pelo setor aos Estados Unidos, o sebo bovino, representa, sozinho, 42% de toda a receita obtida pela reciclagem animal brasileira no mercado internacional. Em 2025, o Brasil embarcou 424 mil toneladas de produtos da reciclagem animal para os EUA, das quais 389 mil toneladas corresponderam ao sebo bovino, equivalente a 91,8% das vendas do setor para aquele destino.

Na avaliação da Abra, a manutenção da tarifa também ignora a dependência da indústria norte-americana desse insumo. Em 2025, os Estados Unidos importaram 1,07 milhão de toneladas de sebo bovino, volume equivalente a 83% de todas as suas compras externas de gorduras animais. No primeiro trimestre de 2026, essa participação aumentou para 88%.

“Os dados mostram que essa não é uma questão pontual. Estamos falando de um mercado que absorve 42% de toda a exportação brasileira da reciclagem animal para o mundo na forma de sebo bovino e que também depende desse insumo para abastecer sua própria indústria”, afirmou o presidente do conselho diretivo da Abra, Pedro Bittar, na nota. Segundo ele, “penalizar esse fluxo comercial significa criar barreiras para uma cadeia estratégica dos dois países”.

A entidade informou, na nota, que os códigos referentes às gorduras e às farinhas de origem animal ficaram fora da lista de exceções. Com isso, os produtos brasileiros seguem sujeitos à tarifa adicional de 25%, o que, segundo a Abra, reduz a competitividade frente a concorrentes de outros países.

De acordo com a associação, a agenda de articulação com o governo federal será mantida para defender a retirada da sobretaxa nas negociações entre Brasil e Estados Unidos. “A Abra continuará empregando todos os esforços institucionais e técnicos para que a reciclagem animal seja retirada do escopo dessas tarifas e possa competir em igualdade de condições no mercado internacional”, afirmou Bittar.

Contato: leandro.silveira@estadao.com

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