Selecione abaixo qual plataforma deseja acessar.

Impostos deixam criação de aplicativos 30% mais caros no Brasil

Para Avanish Sahai, executivo de tecnologia que palestrou no Prêmio Broadcast, é possível criar mercado competitivo no País

3 de junho de 2026

Por Gabriela Jucá, Francisco Carlos de Assis e Letícia Correia

Empresas brasileiras gastam 30% a mais na criação de aplicativos na comparação com pares latino-americanos, como Chile e Colômbia, segundo Avanish Sahai, executivo internacional de tecnologia e inovação. “É a mesma capacidade, mas é maior por motivos de impostos. São coisas que nós podemos resolver. Dá para criar o Brasil como um mercado competitivo, com diversas infraestruturas”, afirmou o executivo, durante palestra no Prêmios Broadcast 2026, que aconteceu ontem à noite em São Paulo.

No evento, foram apresentados os vencedores da 28.ª edição do Prêmio Broadcast Analistas, da 20.ª edição do Prêmio Broadcast Projeções e da 26.ª edição do Prêmio Broadcast Empresas. O 26° Prêmio Broadcast Empresas. A premiação é resultado da compilação de dados realizada pela Agência Estado, em parceria com a Escola de Economia de São Paulo da Fundação Getulio Vargas (FGV EESP), com base no desempenho de 2025.

Sahai reconheceu que o País está criando empresas com potencial global na área de aplicativos. “O Brasil já é líder e acho que o Nubank provou que é o modelo do futuro. É usar a experiência de uma forma muito mais bem aproveitada que os bancos americanos usavam, por exemplo. Então, acho que tem grande capacidade”, completou.

O executivo ainda apontou que a indústria tem demandado a adoção da IA, como fator “essencial” na estratégia. Ele citou uma pesquisa que indica que, até 2030, cerca de 80% das empresas migrarão para a IA em parte de seus processos.

Segundo Sahai, as empresas responsáveis pelo desenvolvimento de novos modelos de software precisam repensar suas estratégias de negócios com o advento da Inteligência Artificial (IA). Ele considera que muitas empresas listadas não souberam se adaptar e registraram uma decaída significativa nos últimos meses, algumas em torno de 80%.

“A verdade é que as empresas têm que mudar. Elas não vão todas morrer, todos nós mudamos nossos negócios nessas tecnologias. Vão ter que se adaptar e mudar a estratégia de produtos, por exemplo”, salientou, durante palestra no Prêmio Broadcast 2026.

Ele ainda destacou que empresas chinesas estão avaliando o investimento em Inteligência Artificial (IA) como decisão de estratégia e crescimento. “A concorrência é grande e está mudando também”, frisou. Sahai ainda alertou que as empresas estão adotando tecnologias, mas apenas 30% delas estão recriando processos.

Mais importante

Também presente ao evento, o economista cipriota-britânico, vencedor do Prêmio Nobel de Economia de 2010, Christopher Pissarides, disse que a única descoberta do passado comparável à Inteligência Artificial (IA) é a eletricidade.

“Na verdade, eu acho que a eletricidade é mais importante do que a IA, ao menos do que a IA atualmente. A eletricidade fez mais pelas nossas vidas e pela indústria do que a IA jamais fará, no estágio em que está hoje”, disse o economista durante palestra no Prêmios Broadcast 2026.

Para ele, o impulso imediato é chamar um economista para dizer o que está fazendo agora, do jeito que está fazendo. “Com a máquina a vapor foi fácil ver para onde aquilo estava indo; com a eletricidade também: uma vez que você eletrifica nossas casas e a indústria, você sabe o que a eletricidade vai fazer. Mas, quando você traz a IA, não fica claro para onde ela vai. Recebemos sinais confusos”, disse Pissarides, acrescentando que “alguns dizem que ela vai curar doenças; outros dizem que ela vai nos destruir. Então, nós realmente não sabemos a direção que a ‘trajetória’ da IA vai tomar.”

O economista disse também que, em geral, concorda-se que é preciso antecipar o que a IA pode fazer para regulá-la e evitar resultados ruins. Em geral, emendou Pissarides, os economistas que olham para as aplicações atuais dizem que não houve aumento de produtividade.

“Portanto, não haverá aumento de produtividade por causa da IA. Isso é uma suposição míope demais. Por outro lado, outros que estão ouvindo os técnicos sobre o que ela pode fazer estão dizendo que, em alguns anos, ela será aplicada aos negócios e vamos ter um aumento de produtividade maior do que qualquer coisa já vista antes. Nós não sabemos para onde as aplicações vão”, disse.

Ainda, de acordo com Pissarides, a IA não vai gerar muito aumento de produtividade, porque há muitos setores grandes que não podem se beneficiar da IA. Ele citou como exemplo o setor de cuidados (care). Esses setores somam cerca de 40% dos empregos.

“E, se você exclui 40% dos empregos e ainda tem o crescimento populacional que esses países têm, esse conjunto não vai se beneficiar com produtividade. Para obter, digamos, 4% de produtividade a partir da IA, você precisa obter um aumento de 7% de produtividade na parte que é afetada pela IA. Ninguém nunca te diz esse tipo de coisa”, observou.

Ao se referir aos perigos da IA que precisam ser regulados, ele disse que atualmente não há perigos porque o ser humano está no controle. Nós sabemos o que estamos fazendo. “Se a IA chegar a um ponto em que não esteja sob nosso controle, então isso pode ser perigoso. Precisamos de boa governança para gerar resultados positivos, mas temos que ter muito cuidado para regulá-la, sem exagerar. Eu acho que a Europa regulou demais, desestimulou. Os Estados Unidos regularam no mínimo necessário”, disse.

Veja também