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Liquidante do Mater apura origem de recursos usados na compra de jato avaliado em US$ 80 mi

Tribunal da Flórida concordou com rastreamento de uma série de outros ativos

17 de julho de 2026

André Marinho e Altamiro Silva Junior

O liquidante do Banco Master quer descobrir a origem do dinheiro que financiou a compra de um jato executivo nos Estados Unidos, como parte do processo de rastreio de ativos da instituição financeira no país. A aeronave, um Gulfstream G700 avaliado em cerca de US$ 80 milhões (cerca de R$ 406 milhões), é alvo de uma investigação que busca esclarecer eventual ligação com o banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Master.

Em documento apresentado à Justiça americana nesta terça-feira, Eduardo Felix Bianchini, da liquidante EFB Regimes Especiais de Empresas, intima a fabricante Gulfstream Aerospace Corporation a entregar documentos e prestar informações sobre o jato.

O objetivo é reconstituir a trajetória dos recursos usados na aquisição do avião e identificar eventuais vínculos do negócio com o Master, Vorcaro e uma série de pessoas associadas ao banqueiro.

O documento, contudo, não diz se a aeronave pertencia a Vorcaro. O liquidante pede a Gulfstream Aerospace documentos que determinem a localização mais recente do jato, registros bancários relacionados a eventuais transações, registros de manutenção, entre outros eventos relevantes.

Segundo a petição, representantes da Gulfstream devem prestar depoimento sobre a questão em 13 de agosto na cidade de Savannah, no Estado americano da Georgia. Já os documentos precisam ser entregues até 31 de julho.

Procurada, a defesa de Vorcaro não respondeu aos questionamentos da Broadcast.

A investigação é parte de um processo mais amplo que desde, o final do ano passado, corre no Tribunal de Falências do Distrito Sul da Flórida, que reconheceu os efeitos da liquidação do Master nos EUA.

No âmbito da ação, a Justiça americana aceitou o pedido do liquidante para rastrear uma série de ativos de Vorcaro e aliados no exterior. A Defesa de Vorcaro tentou barrar a medida, mas teve a maior parte das demandas rejeitada.

A suspeita é de que o banqueiro tenha arquitetado um esquema bilionário para desviar recursos para o exterior e esconder a origem do dinheiro. A rede ilegal teria transferido mais de R$ 1 bilhão para fora do Brasil, por meio da compra de imóveis e até obras de artes milionárias de pintores como Jean-Michel Basquiat e Pablo Picasso.

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