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Patrimônio dos FIDCs deve chegar a até R$ 4 tri em cinco anos, diz sócio da Ouro Preto

10 de setembro de 2026

Por Cynthia Decloedt e Aramis Merki II

São Paulo, 10/09/2026 – O sócio da Ouro Preto Investimentos, João Baptista Peixoto Neto, disse que os bancos serão os maiores investidores no mercado de Fundos de Investimentos em Direitos Creditórios (FIDCs) em cinco anos. Em sua avaliação, o patrimônio dos FIDCs pode chegar a R$ 3 trilhões ou R$ 4 trilhões nesse período e menos de 10% desse volume deve estar nas mãos do varejo. Atualmente, o patrimônio dos FIDCs está próximo de R$ 1 trilhão.

O executivo destaca que os principais investidores em FIDCs são já investidores profissionais e qualificados, gestoras, bancos e estruturas de multi family offices. Os bancos, acrescentou, devem assumir predominância nesse mercado, por conta de incentivos regulatórios.

“A regulamentação do Banco Central prevê que os FIDCs tenham um peso de 0,25% no índice de Basileia”, disse. Ele notou que os bancos carregam R$ 14 trilhões em recursos e entre R$ 6 trilhões e R$ 7 trilhões são crédito. “Todos acham que o banco gosta de dar crédito, mas banco morre de medo de dar crédito.”.

Neto disse ainda que o FIDC na teoria não era para dar errado, pela lógica da classe subordinada, mas que, às vezes, essa estrutura não funciona por incompetência ou má fé. “Qualquer carteira de crédito tem inadimplência e não acredito que precise de uma função regulatória e da criação de muitas regras, o que pode, as vezes, engessar o instrumento”, afirmou.

Para ele, a inadimplência é normalmente pontual e cabe ao investidor e aos gestores fazer um bom trabalho. Ele disse que há atualmente 4 mil FIDCs no mercado e que em 10 anos serão 10 mil. Também citou a existência de 450 gestoras de FIDCs, em contrapartida a 40 mil nos Estados Unidos.

Delano Macêdo, sócio-fundador da Solis Investimentos, defende que o monitoramento diário das carteiras de Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) é necessário para a atuação rápida diante de sinais de deterioração dos ativos. Segundo ele, a evolução da informação pública sobre esses fundos precisa ser acompanhada pela capacidade dos gestores de analisar os dados e agir sobre eventuais problemas.

Delano observou que um estudo feito pela Solis mostrou que de 2014 até agora, 2026, a inadimplência entre cotas Sênior e cota Mezanino foi de 0,68%. “E se tira o que foi fraude, a inadimplência efetivamente é de 0,18% no período”, afirmou.

Já Cristiano D’Andrea Greve, líder da área de estruturação da Integral Investimentos, destaca que é preciso levar informações de forma mais eficiente ao investidor final. Segundo ele, a informação pública sobre FIDCs ainda precisa evoluir, embora haja iniciativas para melhorar relatórios.

Ele também destacou a importância da qualidade dos prestadores de serviços envolvidos nos FIDCs, que incluem administrador fiduciário, custodiante e registrador. “O FIDC vai ser tão bom quanto o seu elo mais fraco”, afirmou Greve.

Contato: merki@broadcast.com.br e cynthia.decloedt@estadao.com

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