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Meio/Ideia: Maioria dos brasileiros avalia que ministros do STF decidem por interesse próprio

9 de setembro de 2026

Por Bianca Gomes, do Estadão

São Paulo, 09/09/2026 – Para mais da metade (51,6%) dos eleitores brasileiros, os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) decidem mais por interesse próprio do que pela lei. O dado consta na mais recente pesquisa Meio/Ideia, divulgada nesta quarta-feira, 9.

Segundo o levantamento, 23,9% não têm posição sobre o tema: não concordam nem discordam da afirmação. Já 10,9% discordam e 13,6% não souberam responder.

A percepção de que os ministros agem mais por interesse próprio do que pela lei ocorre no momento em que a Corte experimenta uma grave crise institucional, protagonizada pelos ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça.

Na última quinta-feira, 3, dois dias após Mendonça tornar públicas mensagens do banqueiro Daniel Vorcaro com o colega de Corte, Moraes divulgou trechos de um relatório de inteligência da Polícia Federal (PF) que afirma que Mendonça “denota interesse no início de investigação formal” sobre o Banco Master e o escândalo do INSS. Sem valor probatório, o relatório diz haver “quadro indicativo de que André Mendonça adota posturas muito diferentes” diante de suspeitas envolvendo Dias Toffoli e Nunes Marques, em comparação com Moraes, “apresentando discurso de defesa quanto aos dois primeiros”.

Entendendo haver ilicitudes na produção dos relatórios por parte da PF, Mendonça determinou nesta terça-feira, 8, o afastamento preventivo do diretor-geral da PF, Andrei Passos Rodrigues, e do diretor de inteligência da corporação, Leandro Almada da Costa, escalando o conflito na Corte.

“Metade da população acreditar que a Suprema Corte brasileira toma decisões por interesse próprio revela o ápice da crise reputacional pela qual passa o Supremo neste momento, sendo uma das instituições mais desacreditadas do País”, diz Maurício Moura, fundador do instituto e professor visitante na George Washington University.

A crise também se reflete no nível de confiança da população no Supremo. Segundo a pesquisa, só 7,3% dizem confiar muito na Corte, enquanto 49,7% dos entrevistados afirmam ter pouca ou nenhuma confiança no STF – sendo 28,4% os que têm pouca confiança e 21,3% os que não têm nenhuma. Somam 11,7% os que não souberam responder.

O instituto entrevistou por telefone 1.500 eleitores com 16 anos ou mais entre os dias 4 e 7 de setembro de 2026. A margem de erro é de 2,5 pontos porcentuais para mais ou para menos e o nível de confiança é de 95%. O levantamento foi registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo BR-07935/2026.

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