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9 de setembro de 2026
Por Talita Nascimento
São Paulo, 09/09/2026 – A expedição de papelão ondulado – historicamente usada como um termômetro da atividade econômica – acumulou alta de 3% no primeiro semestre de 2026. O dado do Índice Brasileiro de Papelão Ondulado, porém, teve desempenho significativamente superior à previsão de crescimento para o setor no período. Para a segunda metade de 2026, até o momento, a expectativa para o indicador é de desaceleração, o que levaria a um crescimento acumulado de janeiro a dezembro de 1,9%. A previsão contraria a tendência padrão do setor de performar melhor no segundo semestre do que no primeiro.
Em janeiro deste ano, uma projeção da Fundação Getúlio Vargas (FGV) apontava para crescimento de 1% no primeiro trimestre de 2026 e 0,5% no segundo trimestre. O segmento de papel ondulado, porém, cresceu 2,5% e 3,5%, respectivamente, na comparação com iguais períodos do ano anterior. Para o ano, a projeção era de alta de 0,6%. As estimativas foram atualizadas ao longo do semestre e, na última revisão, em julho, indicaram estabilidade no terceiro trimestre e alta de 1,8% de outubro a dezembro, apontando para crescimento de 1,9% no ano, o que ainda implica números do segundo semestre mais fracos do que na primeira metade do ano.
O presidente da Associação Brasileira de Embalagens em Papel (Empapel), José Carlos da Fonseca Junior, diz que, estruturalmente, o segundo semestre tende a ser melhor do que o primeiro para o setor, já que concentra mais datas comerciais, que, por sua vez, fazem subir a demanda por embalagens. No entanto, em um contexto de juros persistentemente altos e endividamento das famílias elevado, além do bolso do consumidor agora ser disputado por gastos como as bets, a tendência pode não se repetir. “A velha máxima de que o segundo semestre tende a ser melhor do que o primeiro está sendo testada”, afirmou à Broadcast.
Para ele, é momento de observar se o consumo no período vai respeitar a tendência histórica ou se os efeitos do que os economistas estão percebendo no panorama mais geral serão sentidos pela indústria. Ele lembra que esse é um segmento muito ligado a variações de demanda do consumidor: “[O papel ondulado] é feito [sob encomenda] para ser vendido, ninguém produz a caixa de papelão para estocar. E 62% da produção vai para empresas de alimentos, então isso reforça ainda mais essa característica de um setor que é muito sensível ao consumo das famílias”.
Fonseca Junior lembra alguns efeitos vistos na primeira metade do ano que ajudam a explicar por que houve mais expedição do que o previsto, como o aumento da exportação de frutas e o crescimento do comércio eletrônico no período. Outro destaque foi o movimento de empresas exportadoras de carne que anteciparam vendas para a China, visto que o país asiático estabeleceu um sistema de cota tarifa para a importação de carne bovina. Com a nova medida, qualquer exportação brasileira desse tipo de produto que ultrapasse o limite 1,106 milhão de toneladas será sobretaxada em 55%.
Assim, produtores brasileiros anteciparam vendas para tentar fazer seus produtos chegarem antes de o limite ser atingido, o que aumentou a demanda de papelão para essas embalagens. Para exemplificar como esse movimento foi pontual e não estrutural, já em agosto – na comparação com o mês anterior – as exportações brasileiras de carne bovina para a China recuaram 80,5%, devido ao avanço do preenchimento da cota, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). No primeiro semestre, os “abates e produtos de carne” representaram 20,91% da demanda de papelão ondulado. Em igual período de 2025, a representatividade dessa rubrica foi de 18,37%.
Contato: talita.ferrari@estadao.com
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