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9 de setembro de 2026
Por Isadora Duarte
Brasília, 09/09/2026 – Mais de 2,7 mil entidades empresariais divulgaram nesta quarta-feira um “Manifesto à Nação Brasileira”, pedindo que o Supremo Tribunal Federal “examine os fatos” diante da “crise institucional” que atinge o País. O movimento foi capitaneado pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), que organizou a adesão do empresariado. “O Brasil, como é notório, atravessa uma crise institucional de extrema gravidade, e o seu epicentro é, precisamente, a Corte de Justiça a quem a Constituição confiou a última palavra. Não se trata de episódio isolado nem de ruído passageiro”, diz o manifesto publicado em um hotsite e nos principais jornais do País.
O teor do manifesto foi antecipado ontem com exclusividade pela Broadcast.
Além da Fiesp que encampou o movimento, o manifesto é assinado pela Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil (CACB), Confederação Nacional do Comércio (CNC), Confederação Nacional da Indústria (CNI), Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (Facesp), Federação da Agricultura do Estado de São Paulo (Faesp) e Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo(Fecomércio SP).
Ao todo, 2.757 entidades assinaram o documento. Segundo os organizadores, juntas as entidades do setor produtivo representam cerca de 90% do Produto Interno Bruto (PIB) Nacional e geram 40 milhões de empregos, de acordo com os organizadores. Empresários que participaram da organização, ouvidos pela Broadcast afirmam que o momento atual “exige” posicionamento do setor privado para frear o agravamento da crise institucional. Também defendem que o “setor privado não se omita” diante da crise.
A manifestação das entidades empresariais ocorre após o Estadão ter relevado na última semana diálogos entre o ministro do STF Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. A Polícia Federal confirmou 52 mensagens enviadas por Vorcaro a um número identificado pela Polícia Federal como pertencente ao ministro Alexandre de Moraes, citando o uso de aeronaves e contratos envolvendo o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do magistrado.
Leia o manifesto na íntegra:
Manifesto à Nação Brasileira
O Brasil, como é notório, atravessa uma crise institucional de extrema gravidade, e o seu epicentro é, precisamente, a Corte de Justiça a quem a Constituição confiou a última palavra. Não se trata de ruído passageiro.
Não há Estado de Direito sem juízes acima de qualquer suspeita. A autoridade de um tribunal não decorre da toga nem do cargo, mas da legitimidade que só a imparcialidade, a transparência e a exemplaridade conferem. Se a legitimidade é questionada, tudo o mais se torna incerto: a segurança jurídica, a confiança nas instituições e a própria paz social.
O Supremo Tribunal Federal é o guardião da Constituição, mas guardião algum está dispensado de prestar contas. Quem julga a Nação há de submeter-se, com idêntico rigor, ao julgamento do Direito, da Sociedade e da História. A Constituição que a Corte protege é a mesma que lhe impõe julgamentos transparentes, justos e decisões fundamentadas.
A Sociedade Brasileira exige que o Plenário do Supremo examine em sessão pública os fatos, decida com absoluta urgência, sem subterfúgios e sem corporativismo. A resposta que a Nação aguarda não admite prazo!
Cada dia é um dia a mais de descrédito.
O País já venceu crises profundas e delas saiu mais forte, porque, em cada uma, houve quem se recusasse a calar.
Ninguém, ninguém está acima da LEI!
Contato: isadora.duarte@estadao.com
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