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22 de julho de 2026
Por Isadora Duarte
Brasília, 22/07/2026 – A Administração Geral das Alfândegas da China (GACC, na sigla em inglês) informou oficialmente, ontem (21), que as importações de carne bovina provenientes do Brasil atingiram a marca de 80% da cota anual estabelecida para 2026, de 1,106 milhão de toneladas. No comunicado, o governo chinês alertou que, uma vez preenchida a totalidade da cota (100%), será aplicada uma sobretaxa de 55% sobre a tarifa de importação vigente, com início a partir do terceiro dia após o esgotamento do teto.
O estabelecimento de cotas para cada país exportador e adoção de uma sobretaxa foram implementadas pela China no início deste ano âmbito das medidas de salvaguarda para proteger o mercado local. A velocidade do cumprimento da cota levanta preocupações sobre o cenário para a pecuária brasileira. Caso o limite seja ultrapassado, as cargas brasileiras estarão sujeitas à alíquota adicional de 55%, além do original imposto de importação de 12% e 9% do tributo interno chinês. A indústria exportadora avalia que a sobretaxa inviabiliza as exportações da proteína brasileira.
O anúncio oficial do governo chinês confirma o ritmo acelerado de consumo da cota, que para este ano foi fixada em um volume aproximadamente 35% menor do que as 1,7 milhão de toneladas que o Brasil exportou para o mercado chinês em 2025.
O alcance do porcentual de 80% era considerado estratégico pela indústria para interrupção dos embarques à China a fim de que as mercadorias não cheguem ao país asiático após o fim da cota. Exportadores estimam que o Brasil tenha ultrapassado o volume no início deste mês, considerando as cargas que estão em alto-mar, as que ainda aguardam desembaraço e contabilidade oficial pelas autoridades chinesas. Diante da menor demanda chinesa, a indústria nacional tem ajustado a produção, adotando férias coletivas em algumas unidades, reduzindo turnos e aderindo a layoff.
Contato: isadora.duarte@estadao.com
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