Selecione abaixo qual plataforma deseja acessar.

PIB avança 1,1% no primeiro trimestre de 2026, segundo IBGE

Para analistas, crescimento forte complica trabalho do Banco Central durante ciclo de queda dos juros

29 de maio de 2026

Por Daniela Amorim, Gabriela da Cunha, Flávia Said e Mateus Maia, Daniel Tozzi e Letícia Correia

O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro registrou alta de 1,8% no primeiro trimestre deste ano em relação aos três primeiros meses de 2025. Já na comparação com o período imediatamente anterior, o avanço foi de 1,1% e totalizou R$ 3,3 trilhões, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Com isso, são 19 trimestres consecutivos em expansão, crescendo ininterruptamente desde o terceiro trimestre de 2021. No primeiro trimestre de 2026, pelo lado da oferta, tanto o PIB de Serviços quanto o PIB da Agropecuária também alcançaram níveis recordes.

Já o PIB da indústria está 3,2% abaixo do pico alcançado no terceiro trimestre de 2013. A indústria de transformação ainda opera em patamar 15,8% aquém do pico alcançado no terceiro trimestre de 2008. Sob a ótica da demanda, o consumo das famílias e o consumo do governo alcançaram novos ápices da série histórica no primeiro trimestre de 2026. A Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) ainda estava 9,3% abaixo do pico da série alcançado no segundo trimestre de 2013.

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse que o resultado sustenta a projeção de crescimento de 2,3% para o ano, conforme estimado pela Secretaria de Política Econômica (SPE). “Se confirmado, 2026 será o quarto ano consecutivo com crescimento do PIB superior a 2%, ou seja, o melhor ciclo da economia brasileira em dez anos. É o resultado de uma política econômica que combina justiça social e responsabilidade fiscal com atenção ao crescimento de longo prazo”, disse ele em comunicado publicado no X.

Política monetária

Para analistas, o avanço mais robusto da demanda complica o trabalho do Banco Central em relação à condução da política monetária. Na avaliação do economista-chefe da Franklin Templeton, Adauto Lima, a reaceleração acima da esperada da demanda doméstica somada ao cenário de choque de inflação por conta da guerra no Oriente Médio, deveria ensejar mais cautela por parte da autoridade monetária. “Uma coisa é ter surpresa no PIB em um momento sem choque de inflação, o que não é o caso. Acho que o BC não deveria cortar mais a Selic”, avalia Lima.

Para ele, esse componente mais cíclico do PIB veio na contramão do que o BC imaginava. Somado a isso, a inflação doméstica, que antes caía, agora tem vindo pressionada em meio aos choque do petróleo, acrescenta ele, que por isso espera que a inflação ao final deste ano termine acima do teto da meta, de 4,5%, com boas chances de isso se repetir em 2027.

A economista da SulAmerica Investimentos Mariana Rodrigues diz acreditar que o BC deverá revisar novamente suas estimativas para o hiato do produto. Segundo ela, a projeção oficial mais recente, divulgada em março, indicava um crescimento de 1,6% para o PIB 2026. “Essa estimativa passa a carregar um claro viés de alta, convergindo para um cenário que ainda não havia sido incorporado pela autoridade monetária em seu balanço de riscos”, avaliou ela, em nota enviada à imprensa.

Já Rafaela Vitoria , economista-chefe do Banco Inter, avalia que o impacto de uma atividade mais forte no primeiro trimestre já estava precificado pelo Banco Central. “A política monetária do BC não deve sofrer grandes alterações devido a este resultado”, afirma.

Para ela, o resultado é robusto, mas não é animador. Os estímulos gerados pelo governo federal foram responsáveis pela retomada do crescimento do consumo das famílias, o que se refletiu nos números divulgados hoje pelo IBGE. “A falta de um planejamento mais longo e de uma política econômica que olhe para o longo prazo, juntamente com a baixa taxa de poupança, limita o crescimento do PIB a níveis não muito acima de 1,5% a 2% nos próximos anos”, observa Vitoria que mantém sua projeção de crescimento de 1,8% para o PIB de 2026.

Veja também