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Imea: custo do milho sobe em MT; soja e algodão têm variação menor em maio

16 de junho de 2026

Por Gabriel Azevedo

São Paulo, 16/06/2026 – Os custos de produção de soja, milho e algodão em Mato Grosso apresentaram comportamento misto em maio. O milho liderou as altas no comparativo anual e a soja convencional registrou o maior avanço mensal entre as culturas acompanhadas, segundo dados do projeto Custo de Produção Agropecuário em Mato Grosso (CPA-MT), do Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea). Fertilizantes e sementes foram os vetores comuns de pressão. O algodão foi a única cultura a registrar recuo ante o ciclo anterior.

Para a soja transgênica da safra 2026/27, o custeio foi estimado em R$ 4.499,40 por hectare em maio, queda de 0,19% ante abril. O recuo foi puxado pelos defensivos, que cederam 2,83%, para R$ 1.342,42 por hectare, e pelas operações mecanizadas, com baixa de 5,92%, para R$ 209,14 por hectare. Em sentido contrário, os fertilizantes avançaram 1,55%, para R$ 2.178,18 por hectare, e as sementes subiram 1,94%, para R$ 475,14 por hectare. Apesar do recuo no custeio, o Custo Operacional Efetivo (COE) subiu 0,18% no mês, para R$ 6.216,83 por hectare, e o Custo Total (CT) avançou 0,83%, para R$ 8.399,17 por hectare.

Na soja convencional da safra 2026/27, o custeio chegou a R$ 4.287,90 por hectare em maio, alta de 2,59% ante abril. O principal vetor foi o grupo de sementes, com avanço de 20,26%, para R$ 426,41 por hectare, reflexo da atualização do pacote tecnológico da cultura. Os fertilizantes também pressionaram, com elevação de 5,68%, para R$ 1.849,01 por hectare. Os defensivos recuaram 3,05%, para R$ 1.612,81 por hectare. O COE da convencional ficou em R$ 5.620,55 por hectare, alta de 2,42% no mês, e o CT atingiu R$ 8.011,28 por hectare, avanço de 2,35%.

No milho de alta tecnologia da safra 2026/27, o custeio foi projetado em R$ 3.799,42 por hectare em maio, alta de 0,72% ante abril e de 14,46% em relação ao consolidado da safra 2025/26. O Imea atribui o avanço às maiores despesas com fertilizantes, defensivos e sementes, sendo que no caso das sementes o encarecimento reflete tanto a pressão de custos quanto o avanço tecnológico do material genético. O COE do cereal ficou em R$ 5.528,49 por hectare, elevação de 15,03% no comparativo anual, enquanto o CT atingiu R$ 7.418,49 por hectare, alta de 10,30%. Considerando produtividade de referência de 120,28 sacas por hectare, o produtor precisa comercializar o cereal a pelo menos R$ 45,96 por saca para cobrir o COE, patamar que o instituto destaca como referência para o travamento de preços em momentos oportunos.

No algodão, o custeio da safra 2026/27 foi estimado em R$ 10.652,39 por hectare em maio, recuo de 1,14% ante o consolidado do ciclo 2025/26, puxado pelas menores despesas com manutenção, operações mecanizadas e defensivos. O COE ficou em R$ 15.247,29 por hectare, queda de 0,64% na mesma comparação. Apesar da redução, o Imea ressalta que o custo da safra futura é o terceiro maior da série histórica. Considerando a produtividade média de pluma das últimas três safras, de 124,22 arrobas por hectare, o cotonicultor precisa vender o produto a pelo menos R$ 122,75 por arroba para cobrir o COE. O instituto observou que o preço ponderado da comercialização da temporada 2026/27 até maio ficou 3,42% acima desse patamar, sustentado pela alta das cotações em abril e maio, mas alertou que a margem do produtor segue sensível à volatilidade dos preços da fibra.

Contato: gabriel.azevedo@estadao.com

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