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2 de setembro de 2026
Por Guilherme Nannini
São Paulo, 02/09/2026 – A Comissão Europeia afirmou, ontem (1º), que confia no engajamento e nos esforços do governo brasileiro para adequar a produção nacional de carne bovina às exigências sanitárias relativas ao uso de antimicrobianos, o que permitiria ao bloco retomar as importações de carne do País “o mais rápido possível”. A declaração foi feita pela porta-voz da Comissão Europeia, Eva Hrncirova, em coletiva de imprensa em Bruxelas, ao detalhar a entrada em vigor, amanhã (3), da lista atualizada de países autorizados a exportar animais e produtos de origem animal para o mercado comunitário.
A porta-voz ressaltou que a ausência do Brasil na lista, neste momento, não representa o fim do processo e disse que as autoridades europeias mantêm cooperação “próxima e contínua” com os órgãos reguladores brasileiros. “Uma auditoria técnica de peritos europeus está em andamento no Brasil para avaliar as cadeias de carne de aves e mel e deve ser concluída até o fim desta semana, embora as conclusões oficiais ainda exijam tempo de elaboração”, afirmou. Segundo ela, o bloco já recebeu garantias por escrito do Brasil para esses dois segmentos, mas reforçou a exigência de comprovação do controle de substâncias ao longo de todo o ciclo de vida dos animais.
Conforme Hrncirova, as restrições se baseiam nas diretrizes do bloco sob a abordagem de saúde única (One Health), que proíbe o uso de antimicrobianos como promotores de crescimento e a aplicação, em rebanhos, de medicamentos reservados à medicina humana. No caso da carne bovina, a porta-voz indicou que as garantias necessárias sobre o ciclo completo de vida ainda não foram consolidadas, motivo pelo qual o produto segue fora da lista de autorizações. Em razão do ciclo produtivo mais longo, interlocutores do setor avaliam que a adequação completa da cadeia de bovinos de corte pode demandar prazo maior do que o observado na avicultura.
Desde 1º de julho de 2026, o Brasil adotou novos procedimentos oficiais de fiscalização do uso de antimicrobianos na pecuária para atender à legislação europeia, após ter sido retirado da lista de países homologados em maio. Com os novos protocolos, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva enviou carta à presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, solicitando a reinclusão do País como fornecedor de carne de frango e mel antes da finalização dos relatórios de auditoria. A reavaliação oficial da conformidade brasileira pelo comitê sanitário da UE está prevista para a reunião de 16 e 17 de novembro.
Contato: guilherme.nannini@estadao.com
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