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Análise Política: Crise no STF é maior do que as que derrubaram 2 presidentes na Nova República

4 de setembro de 2026

Por Ricardo Corrêa, do Estadão

A crise institucional que desaba sobre o País faltando um mês para as eleições é mais grave do que a que levou aos impeachments de dois presidentes na nova República. Ao contrário daquelas que estavam circunscritas a turbulências na governabilidade junto ao Parlamento e à impopularidade dos chefes do Executivo diante da opinião pública, agora temos à frente um desafio fulcral que envolve toda uma cadeia de autoridades escaladas para investigar, denunciar, julgar e dirimir conflitos institucionais.

O quadro que explodiu com a revelação de mensagens do ministro Alexandre de Moraes com o banqueiro Daniel Vorcaro e culminou em um pedido do próprio ministro para investigar um abuso de autoridade do colega André Mendonça, envolve, além de suspeitas e relatos envolvendo ministros do Supremo, a atuação dos comandos da Polícia Federal, da Procuradoria-Geral da República (PGR) e do Congresso Nacional. Isso sem falar que decorre também de processos que envolvem citações ao filho do presidente da República e ao principal candidato da oposição, além de uma miríades de políticos nos mais diversos âmbitos do Poder Público.

Resolver esse enrosco é bem mais difícil do que promover um impeachment ou uma cassação. Em tese, ao lado de Moraes, o até aqui mais implicado nas mensagens de Vorcaro, há uma grande parte e possivelmente a maioria dos ministros do STF, as chefias da PF e do Ministério Público e o presidente do Senado, exatamente aquele responsável por tocar um processo de afastamento. Com Mendonça estão a maioria do Parlamento e a opinião pública.

Fosse em um momento comum, a crise já seria gigantesca. Dentro do período eleitoral, tem consequências ainda maiores, difíceis de mensurar. O normal seria o afastamento imediato de Moraes do STF. Mas, diante dos apoios que tem, é algo improvável de ocorrer. Já sobre a possível atuação política de Mendonça no comando das investigações, a designação de outro relator cairia com uma bomba para a sociedade, colocando gasolina na crise.

O presidente Edson Fachin está diante de um enorme desafio. Maior do que aquele que levou a uma descrença substantiva sobre o trabalho do STF e até a propostas de ruptura institucional. Caberá a ele conduzir um assunto de extrema gravidade em um plenário em chamas, sobre o qual estão debruçados agentes políticos de toda ordem e militâncias políticas incendiárias. Quanto mais gente envolvida no caso, de todas as esferas públicas, mais chance de que tudo termine não em um acórdão, mas em um acordão. Sairiam todos livres, mas com um STF mais fraco e desmoralizado e com uma sociedade à beira da revolta popular.

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