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8 de setembro de 2026
Por Lavínia Kaucz
Brasília, 08/09/2026 – A Advocacia-Geral da União (AGU) pediu ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, que suspenda a liminar do ministro André Mendonça que determinou o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues. Com o pedido diretamente a Fachin, a AGU dribla a Segunda Turma, onde Mendonça já tinha maioria para confirmar a decisão.
Na peça assinada pelo advogado-geral da União, Jorge Messias, a AGU argumentou que a liminar causa “grave lesão à ordem pública e administrativa” e viola a prerrogativa do Presidente da República para nomear e exonerar cargos de direção da Polícia Federal. Messias também sustentou que a descontinuidade “abrupta” na gestão do órgão compromete o funcionamento das atividades.
A petição pede que Fachin conceda outra liminar para suspender imediatamente a decisão de Mendonça.
A AGU também argumenta que os relatórios de inteligência da PF, cuja produção embasou a liminar de Mendonça, já estavam sob condução de Fachin na Corte desde a última quinta-feira, 3, quando o ministro Alexandre de Moraes citou o material na decisão que pede a investigação do colega.
Por isso, para a AGU, Mendonça “antecipou juízos” e submeteu ao referendo da Segunda Turma um tema que havia sido indicado pelo próprio ministro como de competência do Plenário.
Na decisão proferida nesta terça-feira, 8, Mendonça afirmou que a área de inteligência da PF realizou “monitoramento sistemático” e “coleta dirigida” sobre o próprio relator do caso Master no STF e sobre Messias durante mais de 30 dias.
A suspensão de liminar é uma ferramenta considerada “excepcionalíssima” no Supremo e raramente é usada para barrar decisões de magistrados da própria Corte.
O exemplo mais recente do uso do instrumento foi em 2020, quando o então presidente do Supremo, Luiz Fux, suspendeu a decisão do ministro Marco Aurélio que havia determinado a revogação da prisão do traficante André Oliveira Macedo, conhecido como André do Rap. A decisão foi referendada pelo plenário da Corte na época.
Messias se reuniu mais cedo com Fachin na sede do Supremo para tratar do tema. O ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva, também participou do encontro.
Contato: lavinia.kaucz@estadao.com
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