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4 de setembro de 2026
Por Antonio Perez
São Paulo, 04/09/2026 – O dólar subiu frente ao real nesta sexta-feira, 4, acompanhando a valorização da moeda americana no exterior, após dados fortes do mercado de trabalho nos EUA aumentarem as apostas em alta de juros pelo Federal Reserve em setembro.
Operadores afirmam que houve um ajuste de posições no mercado local, depois de quatro pregões seguidos de queda do dólar, com desvalorização acumulada de 1,77%, na esteira do aumento de chances de vitória da oposição na corrida presidencial. Em dinâmica similar à de ontem, o real teve um dos piores desempenhos do dia entre as divisas mais líquidas.
Pesquisa DataFolha divulgada ontem à noite confirmou o quadro de empate técnico entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro, em simulação de eventual segundo turno, desenhado por levantamentos anteriores. O petista aparece com 46% das intenções de voto, contra 44% do candidato do PL.
À exceção de uma queda pontual e bem limitada na abertura dos negócios, quando registrou mínima de R$ 5,1022, o dólar operou em alta no restante da sessão. Após máxima de R$ 5,1407, fechou em alta de 0,52%, a R$ 5,1308. A moeda americana recuou 1,26% na semana e 0,95% nos quatro primeiros dias de setembro, após valorização de 2,16% em agosto.
“Os investidores se assustaram hoje um pouco com a geração de emprego três vezes superior às expectativas. Mas a semana foi de queda do dólar, com o mercado ajustando os prêmios de risco para a possibilidade de uma vitória do Flávio”, afirma o gerente de câmbio da Treviso Corretora, Reginaldo Galhardo, ressaltando que a crise no Judiciário trouxe um elemento novo para a disputa eleitoral.
O desgaste do ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes, após a Polícia Federal revelar conversas dele com o ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, é visto como favorável ao bolsonarismo. O presidente do STF, Edson Fachin, deu sinais hoje de que pretende pôr fim ao inquérito das ‘fake news’, comandado por Moraes.
Para a economista Luíza Pinese, da XP, o principal risco para o real até o fim do ano é a possibilidade de uma elevação dos juros nos Estados Unidos. Ela pondera, contudo, que a postura do Banco Central na condução da política monetária e a saúde das contas externas devem dar suporte à moeda brasileira. “Mantemos nossa projeção de taxa de câmbio a R$ 5,00 no fim do ano, mas não descartamos uma maior volatilidade no curto prazo, com a proximidade do ciclo eleitoral”, afirma Pinese, em relatório.
Indicador mais aguardado da semana, o relatório de emprego mostrou que os EUA geraram 162 mil empregos em agosto, acima do pico das estimativas de Projeções Broadcast, de 125 mil. A taxa de desemprego permaneceu em 4,1%, ao passo que o salário-hora subiu 0,3%, como esperado.
Referência do comportamento do dólar em relação a uma cesta de seis moedas fortes, o índice DXY voltou a superar os 99,000 pontos e subia 0,24%, por volta das 17h, aos 99,150 pontos, após máxima aos 99,392 pontos. O Dollar Index termina a semana com baixa de cerca de 0,50%, sobretudo por conta de ganhos de mais de 2% do iene, em meio à expectativa de aperto monetário no Japão e de rumores de intervenção cambial.
Para o gerente de portfólio da Janus Henderson, Bradford Smith, o payroll pode pesar a favor de uma alta de juros pelo Federal Reserve neste mês. Ele ressalta, contudo, que o próprio presidente do BC americano, Kevin Warsh, já deu mais foco à inflação – ponto reforçado ontem pelo diretor Christopher Waller.
“Há uma clara inclinação no Fed para agir caso os dados futuros não mostrem mais progresso na desinflação”, afirma Henderson, chamando a atenção para a divulgação, na próxima sexta-feira, 11, do índice de preços ao consumidor (CPI, em inglês) de agosto.
Contato: antonio.perez@estadao.com
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