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Monte Bravo mantém mais de 50% em caixa no Brasil e vê assimetria em IPCA+ e ativos no exterior

4 de setembro de 2026

Por Bruna Camargo

São Paulo, 04/09/2026 – A Monte Bravo mantém mais de 50% de suas carteiras alocadas em caixa no Brasil, com ativos pós-fixados e líquidos e aposta em posições de IPCA+, proteção cambial e bolsa internacional, onde vê melhores relações entre risco e retorno. Há também exposição a bonds, ouro e commodities, enquanto posições em crédito privado foram praticamente zeradas. Segundo Guilherme Loureiro, diretor de investimentos (CIO, na sigla em inglês) do grupo Monte Bravo, a estratégia é evitar apostas direcionais e montar portfólios que tenham bom desempenho em diferentes cenários.

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Guilherme Loureiro, CIO do grupo Monte Bravo

A cautela com ativos de maior risco no Brasil tem razão de ser: Com a eleição no radar e o cenário fiscal como principal vetor de incerteza, a casa prefere preservar liquidez e esperar pontos de entrada mais favoráveis. Para Loureiro, uma eventual melhora da percepção fiscal poderia abrir espaço relevante para a queda dos juros reais e para a valorização de ativos domésticos, mas a Monte Bravo não considera prudente antecipar esse movimento.

“Hoje a nossa alocação é basicamente isso: muito caixa. Mais de 50% é caixa. Temos 14% de juros com 4,5% de inflação, o que é quase 10% de juro real, com pós-fixado e liquidez. Não é preciso tomar muito risco”, afirmou Loureiro, em entrevista à Broadcast.

Na parcela de risco local, o principal ativo é o IPCA+, que, segundo o CIO, oferece proteção tanto em um cenário de ajuste fiscal quanto em uma eventual deterioração das contas públicas. Ele acrescenta que a composição vai bem com câmbio para reduzir a assimetria da carteira. Em um cenário positivo para o Brasil, a queda do dólar seria compensada pela valorização dos títulos; em um cenário adverso, a alta da moeda ajudaria a proteger a carteira.

O crédito privado, por outro lado, está praticamente fora do portfólio. Loureiro vê uma combinação desfavorável de endividamento das famílias, empresas e governo, em um momento em que o crescimento econômico começa a dar sinais de perda de ritmo. Além disso, considera que os spreads (prêmios) atuais não remuneram adequadamente o risco adicional.

Na Bolsa brasileira, a Monte Bravo ainda tem exposição por meio de posições em volatilidade, comprando uma call e uma put ao mesmo tempo. Na renda variável, a preferência mesmo é fora do País: a vertical de family office tem cerca de 30% dos recursos alocados em ações internacionais. A casa vê uma relação mais favorável no mercado acionário americano mais amplo, embora alterne as posições conforme os valuations.

Em renda fixa internacional, a visão é construtiva. A Monte Bravo considera que o ciclo global ainda é de afrouxamento monetário e que os Estados Unidos ainda têm espaço para reduzir juros. Por isso, mantém posição relevante em bonds, com preferência pelos vencimentos intermediários, próximos de cinco anos. A escolha é por equilibrar três cenários acompanhados pela casa: desaceleração suave da economia, recessão e eventual persistência da inflação.

O ouro também permanece na carteira. Depois de chegar a representar entre 10% e 11% do portfólio, a posição foi reduzida e atualmente está em cerca de 5%. Loureiro avalia que o metal ainda tem espaço para avançar, apoiado pela demanda dos bancos centrais e pelo ambiente geopolítico mais fragmentado.

Diferentes cenários

Loureiro conta que a estratégia de investimentos é construída a partir de múltiplos cenários, com o objetivo de encontrar ativos que apresentem ganhos relevantes em um contexto e perdas limitadas em outro. “Evitamos apostar em um cavalo só. Ficamos com uma diversificação que protege em vários cenários e dá ganhos em cenários melhores”, afirma. “A consequência disso é que o perfil da carteira não é de grandes saltos. É um retorno consistente ao longo do tempo.”

Contato: bruna.camargo@estadao.com

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