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Ponto crítico das negociações da Braskem ainda é a necessidade ou não de um aporte

27 de agosto de 2026

Por Cynthia Decloedt e Talita Nascimento

São Paulo, 25/08/2026 – Pelas indicações de ambos os lados nas conversas sobre o plano de recuperação extrajudicial da Braskem – seja da empresa, seja dos credores – a mesa de negociação tende a continuar quente, especialmente quando se trata da possível capitalização da companhia, prevista no texto sem muitos detalhes. Enquanto fontes próximas à empresa tratam disso como uma possibilidade, aquelas próximas aos bondholders afirmam que a companhia já assumiu esse compromisso e que ele é “inegociável”. A companhia protocolou pedido de recuperação extrajudicial na segunda-feira, 24.

Para estes credores, não importa de que forma o dinheiro vai entrar na empresa, se diretamente ou por aumento de capital, o relevante é o compromisso dos acionistas nesta direção. Na visão dos bondholders, a companhia precisa se desalavancar e “o reconhecimento de que os acionistas se comprometem a alocar capital levou ao acordo”, disse uma terceira fonte. Segundo a mesma fonte, esse compromisso já é formal.

Ao longo dos 60 dias de negociação garantidos por medida cautelar, encerrados na segunda-feira, alguns credores defenderam a necessidade de uma injeção de US$ 2 bilhões na Braskem, outros, que os recursos viessem da Petrobras. Houve ainda quem oferecesse colocar dinheiro, tendo todos os ativos da empresa em garantia, inclusive ações.

Sobre a possibilidade aventada pelos credores ao longo do processo de que a Petrobras injetasse recursos na companhia, as fontes ligadas à Braskem são categóricas em dizer que a única forma possível de algo próximo a isso ocorrer é o aumento de prazos e limites da petroquímica no fornecimento de matérias primas vindas da estatal, o que se define por linha de capital de giro, como a divulgada esta semana.

Uma das fontes afirmou que os credores superestimaram a participação de representantes diretos da petroleira nas horas finais de negociação: “Ainda que existisse a vontade de algumas pessoas de que a Petrobras estatizasse a petroquímica, essa é uma discussão que teria que passar pelo Congresso Nacional, pela sociedade brasileira. Seria um movimento estrutural e não trivial.”, afirmou.

‘Bondholders’

Os detentores de títulos de dívida emitidos no exterior (bonds) são peça-chave nesse jogo, já que juntos têm poder suficiente para conduzir a formação do quórum de 50% mais 1 exigidos pela lei para homologação de um plano de recuperação extrajudicial. Eles têm mais da metade da dívida que está sendo reestruturada, ou cerca de R$ 35 bilhões, envolvendo cerca de 50 membros e, embora cada um tenha a sua própria estratégia de investimento e origem de capital, por enquanto estão unidos.

Mas dentro de um grupo tão grande e diverso de bondholders, não é garantido que assim permaneçam até o final dos 90 dias, disse a fonte próxima à negociação. Cerca da metade dos créditos desse grupo está em gestoras de visão de longo prazo, que compraram os papéis ao preço de emissão, ou que são credores também da Petrobras em emissões feitas pela petroleira no mercado externo. A outra parte é composta por fundos de hedge, especializados em entrar em companhias com dificuldades financeiras, comprando os papéis baratos e esperando pelo lucro na reestruturação.

Este segundo grupo tem experiência e preparo nesse tipo de negociação, entra mais agressivo, e raramente tem medo de uma recuperação judicial. Em um cenário de racha entre os bondholders, quem eventualmente ganha é a companhia, pois os dissidentes poderiam se unir a alguns bancos que têm sido mais maleáveis. Dessa forma, a empresa ganha poder de fogo em uma composição do quórum de 50% mais 1 para a recuperação extrajudicial e até em um cenário de recuperação judicial.

Contato: cynthia.decloedt@estadao.com; talita.ferrari@estadao.com

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