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31 de agosto de 2026
Por Daniel Tozzi
São Paulo, 31/8/2026 – Estados que tenham definição da eleição para governador já no primeiro turno tendem a ser um problema para os dois principais candidatos na disputa presidencial, Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), mas pesam mais contra o petista, na avaliação do CEO do instituto Nexus, Marcelo Tokarski.
“As campanhas têm esse desafio de mobilizar, porque nos estados é a campanha de governo que ‘empurra’ o eleitor para ir votar, principalmente eleitores do interior, onde o Lula é bem votado”, disse Tokarski durante participação em painel sobre as eleições no Macro Day do BTG Pactual, nesta segunda-feira. “Esse é um ponto de atenção para a campanha do presidente. A abstenção talvez seja o fiel da balança no dia 25 de outubro, se a gente chegar até lá nesse cenário que se avizinha de uma diferença mínima entre ele o Flávio Bolsonaro”, emendou.
Nesse sentido, o CEO da Nexus mencionou a situação do Estado de São Paulo, maior colégio eleitoral do País, e que pode ter vitória do atual governador, Tarcísio de Freitas (Republicanos), já no primeiro turno. “Vemos que há um descompasso que vai de 10 a 15 pontos porcentuais da intenção de voto do Tarcísio em relação a do Flávio Boslonaro [em São Paulo]. Ou seja, tem muito voto Lula-Tarcísio”, detalhou.
Assim, Tokarski destacou que o nível de engajamento de Tarcísio em prol de Flávio no segundo turno tende a ser determinante para as pretensões eleitorais do filho do ex-presidente, Jair Bolsonaro. “O quanto o Tarcísio vai se dedicar a trazer esse voto para o Flávio, uma vez que, o Flávio sendo eleito em 2030, o caminho da direita fica já previamente ocupado pelo incumbente, embora ele [Flávio] diga que vai acabar com a reeleição”, questionou o CEO.
Barreira de contenção
Tokarski também pontuou que há uma espécie de “barreira de contenção” que impede um maior crescimento das intenções de voto em Flávio Bolsonaro do primeiro para o segundo turno. Segundo ele, pesquisas do instituto apontam que 9% do eleitorado que desaprova Lula, também rejeita o nome de Flávio Bolsonaro. “E esse eleitor, quase 3% deles, no segundo turno, acaba votando em Lula e não em Flávio. E isso é o que tem servido como uma certa barreira de contenção para que Lula, mesmo mais desaprovado [do que aprovado pelo eleitor] , consiga ainda ficar à frente no segundo turno”.
Contato: daniel.mendes@estadao.com
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