Selecione abaixo qual plataforma deseja acessar.

Grupo ArcelorMittal investirá até R$ 5 bi no Brasil na expansão de aço laminado de Tubarão

31 de agosto de 2026

Por Ivo Ribeiro

São Paulo, 31/08/2026 – Após alguns anos de análises das condições de mercado, por fim a direção do grupo ArcelorMittal no Brasil decide tirar da gaveta, com aprovação dos acionistas, o projeto bilionário para fazer uma expansão da linha de produção de aço laminado na Usina de Tubarão, em Serra, na Grande Vitória.

De acordo com informação da empresa na tarde desta sexta-feira, 28, o valor do investimento será entre R$ 4 bilhões e R$ 5 bilhões para fazer, por ano, 560 mil toneladas de aço laminado revestido (galvanizado). Os mercados-alvo são automotivo, construção civil e de linha branca. Trata-se de um tipo de aço com alto poder anticorrosivo e de resistência para uso na fabricação de carros, geladeiras, fogões e obras imobiliárias.

Em dezembro de 2025, o presidente da ArcelorMittal Brasil e CEO ArcelorMittal Aços Planos América Latina, Jorge Oliveira, disse em entrevista ao Estadão que o grupo colocava algumas condicionantes para retomar esse projeto. Por exemplo, medidas para estancar a forte entrada de aço chinês no mercado brasileiro. Em certa medida, houve um forte recuo das importações estrangeiras ao longo deste ano. Outra era, por exemplo, economia mais estável do País.

O grupo controlado pela família Mittal tinha como meta concluir até o final de março deste ano o ciclo de investimento de R$ 25 bilhões, iniciado em 2022 com uma grande aquisição no País, de uma usina no Ceará. Líder na produção de aço no Brasil, com fatia de cerca de 42%, o novo plano da companhia é estimado entre R$ 10 bilhões e R$ 12 bilhões, até 2029/2030. Um dos projetos desse programa era a expansão da usina capixaba.

“Se as importações de aço não caírem de forma relevante, coloca em risco novos planos de investimentos do grupo no Brasil. Medidas de defesa comercial são fator prioritário para permitir investimentos”, disse o executivo ao Estadão nove meses atrás.

Ao mesmo tempo, a companhia foi afetada pelo tarifaço de Donad Trump, com a tarifa de 50% aplicada às exportações de placas (material semiacabado) a partir do Brasil em 2025. Os embarques para os Estados Unidos reduziram significativamente e praticamente foram zerados para o Canadá. A empresa teve de desviar exportações para mercados da Europa, basicamente para suprir unidades próprias.

A batida do martelo sobre o investimento de quase US$ 1 bilhão pelo comando do grupo em Londres e a direção da subsidiária brasileira ocorreu quase ao final da tarde desta sexta-feira, 28. O projeto prevê a instalação de um Laminador de Tiras a Frio e uma Linha de Revestimento Contínuo de aço dentro da usina que já opera em Serra – maior do grupo no País. O laminador será alimentado com bobinas de aço laminado a quente já produzidas dentro da própria usina.

“O investimento na Unidade de Tubarão é um marco que reforça nosso compromisso com o desenvolvimento do Espírito Santo. Ao gerar oportunidades, atrair novos negócios e criar um efeito multiplicador positivo em toda a cadeia de valor, este projeto contribuirá para o crescimento econômico do Estado e reflete nossa confiança no futuro do Brasil”, afirmou em comunicado, Oliveira.

Segundo o executivo, com isso a companhia vai fortalecer sua presença em mercados de alto valor agregado, como os setores automotivo, de linha branca e da construção civil, que exigem aços de altíssima qualidade.

Foco na diversificação de portfólio

A expectativa da empresa, conforme o comunicado, é que as obras tenham início ainda neste ano, com duração aproximada de três anos e meio. Ou seja, o empreendimento deve ficar concluído no início de 2030, e as operações deverão começar ainda no primeiro semestre daquele ano. O pico da construção deverá gerar cerca de 3 mil empregos, enquanto a fase operacional contará com aproximadamente 450 funcionários.

A companhia afirma que sua estratégia está vinculada à diversificação de portfólio, com foco em produtos laminados e acabados (downstream), e ao potencial de crescimento do mercado brasileiro. “O consumo per capita de aço no Brasil ainda é baixo, girando em torno de 122,5 kg ao ano, 41% abaixo da média global, de 209 kg”, informou. É mais baixo do que o de muitos países da América Latina: México, Chile e Argentina. Em relação aos países desenvolvidos e à China, fica muito longe.

Esse foco, segundo a companhia, já havia sido posto em prática no ano passado, quando a ArcelorMittal fez a aquisição de empresas como Tuper (tubos para segmentos automotivo, óleo e gás, construção civil e energia fotovoltaica), Tekno (aços pré-pintados), Dânica e Perfilor (soluções para o segmento da construção). “Com isso, consolidou o maior portfólio de produtos e soluções em aço no Brasil. O investimento no Espírito Santo consolida esse processo.”

A ArcelorMittal Brasil tem capacidade instalada anual de 15,5 milhões de toneladas de aço, entre produtos laminados planos e longos, com unidades industriais em oito Estados, além de rede de distribuição e empresas de produtos acabados. Produz ainda cerca de 8 milhões de toneladas de minério de ferro por ano em duas operações de minas em Minas Gerais.

Veja também