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27 de agosto de 2026
Por Cynthia Decloedt e Talita Nascimento
São Paulo, 25/08/2026 – Começa agora de fato a discussão da Braskem com seus credores em torno do futuro da multinacional brasileira, praticamente do zero, sem clareza de sucesso e que não elimina o risco de se desdobrar em uma recuperação judicial. A petroquímica tem dívidas de pouco mais de R$ 56 bilhões para reestruturar. Nos últimos 60 dias, após duros debates, a Braskem conseguiu apenas alinhar, no último minuto, um grupo de 39% dos credores com interesse em seguir negociando nos próximos 90 dias, tempo ganho com o pedido de recuperação extrajudicial entregue nesta segunda-feira, 24, à Justiça.
O desafio será acomodar a complexidade de interesses de seus diversos credores, de um novo controlador financista, a IG4 Capital, que tem de se entender com uma estatal gigante, a Petrobras, além das próprias questões pertinentes à indústria petroquímica, que exigem pesados investimentos.
“Tudo será discutido e negociado a partir de agora, o ambiente é complexo e a chance de a negociação dar certo é uma mera expectativa”, diz uma fonte próxima à negociação. Segundo a mesma fonte, no cenário atual, o desfecho ser uma recuperação judicial não pode ser totalmente descartado. “Existe um voto de confiança e o trabalho à frente será alinhar a visão das partes, que ainda são muito distantes, para levar um plano de recuperação extrajudicial”, acrescentou.
O que foi possível para levar o pedido da extrajudicial à Justiça foi o “plano de um plano”, conforme afirmou um interlocutor próximo à empresa, sem acordos formais ou garantias. Segundo a fonte próxima à negociação, não existe sequer uma estratégia de voo pronta para a companhia, já que a guerra no Oriente Médio tem trazido volatilidade ao mercado petroquímico, que convive ainda com um excesso de oferta da China.
“Eu não sei quanto vai valer o barril de petróleo no fim do ano”, afirmou outro interlocutor, dizendo ser temerário tratar os pontos escritos do pedido da recuperação extrajudicial como acordados ou fechados entre as partes.
Tempo
No plano exposto no site da Braskem, em consenso com os credores signatários, existe uma previsão de um período de “relief”, ou seja, um “tempo” para que a companhia entenda o que poderá entregar quando a volatilidade diminuir. “O provável é que sejam desenhados diferentes cenários para premissas de receitas e fluxos de pagamento aos credores”, disse a fonte.
Por isso, conforme o mesmo documento, há previsão de extensão do vencimento dos compromissos financeiros por prazo a ser negociado. Há também a possibilidade de pagamento do juro dos títulos emitidos pela empresa por meio da emissão de novos títulos, modalidade chamada de payment-in- Kind (PIK).
Os credores quebraram também a resistência dos controladores quanto a um suporte de capital dos acionistas, que está citado no plano, em termos gerais e não explícitos. Entretanto, a Braskem cita que esse assunto deverá ser tratado como uma segunda opção, a ser analisada e negociada, após o período de “relief”. Essa sinalização de que a Braskem irá discutir uma injeção de capital, seja de que forma for e em uma situação a ser negociada, foi fundamental para chegar à adesão necessária para o pedido de recuperação extrajudicial, especialmente entre os bondholders, como são chamados os detentores de títulos de dívida da empresa emitidos no exterior. A IG4 e a Petrobras refutaram a ideia durante todo o processo negocial de 60 dias.
Mesmo agora, com a possibilidade escrita no plano, a fala de um interlocutor resume a resistência: “Saber se vai ser necessário ou não o aporte, de quanto, de que forma, é o que vamos tentar modelar. Mas entendendo que é difícil, quase impossível”.
Contato: cynthia.decloedt@estadao.com; talita.ferrari@estadao.com
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