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ABDE elabora carta às candidaturas de 2026 com 20 propostas sobre financiamento

10 de agosto de 2026

Por Mateus Maia

Brasília, 10/08/2026 – A Associação Brasileira de Desenvolvimento (ABDE), representante do Sistema Nacional de Fomento (SNF), publicou nesta segunda-feira uma Carta Aberta às Candidaturas 2026, documento que apresenta uma agenda estratégica de propostas voltadas ao fortalecimento do financiamento ao desenvolvimento no Brasil.

O texto é direcionado aos candidatos à Presidência da República, aos governos estaduais e ao Poder Legislativo e reúne 20 propostas estruturadas em cinco eixos prioritários e um compromisso mínimo, que a entidade solicita que seja assumido publicamente pelas candidaturas.

Entre os compromissos mínimos, estão o reconhecimento do Sistema Nacional de Fomento como infraestrutura permanente de desenvolvimento; a modernização do marco regulatório das instituições financeiras de desenvolvimento; a preservação dos fundos públicos como instrumentos permanentes de financiamento; o compromisso com uma agenda integrada de financiamento da transição climática; e o fortalecimento da educação financeira, da inclusão produtiva e do cooperativismo.

O documento cita o papel do Sistema Nacional de Fomento como principal instrumento de crédito para o desenvolvimento do País. Este reúne 35 instituições, como bancos públicos, de desenvolvimento, sistemas cooperativos e o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae). O Sistema é responsável por 45% do crédito nacional, com R$ 6,9 trilhões em ativos, atendimento a 75 milhões de clientes e presença em todos os 5.570 municípios brasileiros.

A carta ressalta ainda que, em 2025, o Sistema respondeu por 98% do financiamento aos Estados e municípios, 66% do crédito rural, 76% do crédito para infraestrutura e 74% do financiamento de longo prazo no País, evidenciando sua importância para a execução de políticas públicas e para o desenvolvimento regional.

Os cinco eixos de medidas apresentadas no documento são: ambiente regulatório e normativo; funding e financiamento; fortalecimento do setor produtivo; desenvolvimento sustentável e resiliência climática e inclusão financeira e social.

A ABDE aponta ainda gargalos históricos que exigem uma estratégia consistente de financiamento. Entre eles, estão o baixo investimento em infraestrutura (2% do PIB), os investimentos em ciência e tecnologia (1,2% do PIB), a falta de coleta de esgoto para cerca de 100 milhões de brasileiros, a elevada informalidade, que atinge 40% da força de trabalho, e os impactos crescentes das mudanças climáticas, que já provocam perdas superiores a R$ 100 bilhões por ano. O documento também lembra que a transição para uma economia de baixo carbono demandará investimentos superiores a US$ 1 trilhão até 2050.

Contato: mateus.maia@broadcast.com.br

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