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12 de agosto de 2026
Por Aramis Merki II
São Paulo, 12/08/2026 – O mercado brasileiro de criptomoedas começa a tratar as stablecoins menos como ativos para reserva de valor e mais como infraestrutura do sistema financeiro, com foco em clientes corporativos. Pesquisa da KPMG em parceria com a Associação Brasileira de Criptoeconomia (ABcripto) mostra que os principais casos de uso projetados para os próximos anos estão ligados a pagamentos e câmbio internacional. Stablecoins são ativos digitais atrelados e moedas tradicionais.
As empresas aparecem como o principal público-alvo da tecnologia nos próximos três anos para 34% dos bancos e prestadoras de serviços de ativos virtuais que responderam a pesquisa. “A stablecoin virou uma estrutura para o mercado financeiro. Ela deixa de ser um ativo para reserva de valor ou para especulação e passa a ser uma ferramenta que traz eficiência para o sistema como um todo”, afirma Julia Rosin, presidente da ABCripto.
Para 50% dos entrevistados, pagamentos e câmbio internacional serão os principais casos de uso das stablecoins no futuro. Outros 25% apontam a liquidação de ativos tokenizados, enquanto 15% projetam maior utilização em ambientes institucionais, como tesouraria, liquidez e operações de câmaras de compensação.
Segundo Rosin, a tendência de empresas emitirem suas próprias stablecoins está relacionada principalmente à oferta de infraestrutura para os próprios serviços com ativos digitais. A pesquisa mostra que 80% dos participantes já emitem sua própria stablecoin. As empresas ouvidas foram deliberadamente as que já têm interesse no mercado, aponta Fábio Lacerda, sócio da KPMG no Brasil. A amostra é formada por 70% de prestadoras de serviços de ativos virtuais (VASPs) e 30% de instituições bancárias.
Apesar do interesse em emitir stablecoins próprias, a expectativa é que o mercado brasileiro não seja formado por uma grande quantidade de emissores. O Brasil tem pouco mais de 130 conglomerados bancários, mas isso não significa que haverá um ativo do tipo para cada banco, segundo Lacerda. Na avaliação do executivo, o mercado tende a ser relativamente concentrado. A concentração também é observada no mercado global. Mais de 99% das transações globais com stablecoins estão concentradas nas duas principais moedas estáveis, USDT e USDC.
Esta predominância, na avaliação de Lacerda, não elimina a possibilidade de criação de stablecoins voltadas a mercados ou usos específicos. No mercado doméstico, por exemplo, stablecoins lastreadas em reais poderiam ganhar espaço na liquidação financeira.
Segurança
A pesquisa mostra que 100% dos participantes defendem que os ativos utilizados como lastro sejam submetidos a auditorias independentes periódicas. Além disso, 70% consideram a divulgação periódica da composição, liquidez e localização das reservas como o principal indicador de confiança nas stablecoins.
Para a presidente da ABcripto, esses pontos representam um grau elevado de consenso dentro do mercado. A associação defende uma legislação baseada em princípios e em uma abordagem de risco, capaz de acomodar diferentes emissores e casos de uso sem a necessidade de criar regras específicas para cada nova tecnologia ou modelo de negócio.
Contato: Merki@broadcast.com.br
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