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28 de agosto de 2026
Por Isadora Duarte
Brasília, 28/08/2026 – O candidato à Presidência pelo PSD, ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado, criticou a atual política externa adotada pelo Itamaraty, afirmando que a chancelaria brasileira deixou de ser referência. “Hoje, o Itamaraty virou um braço partidário, uma mediocridade. Ele tinha que ser aquilo que sempre foi: de comércio, de abrir mercado, de pacificar”, disse Caiado, em entrevista ao Canal Rural e ao Bom dia Mercado (BDM), transmitida há pouco.
Caiado disse também que o presidente da República não pode ficar “brigando” com os Estados Unidos, com o Paraguai. “A primeira coisa que eu vou fazer é pacificar o Brasil. Vou acabar com essa conversa de ficar um brigando com o outro. Você pacifica o país e o Itamaraty vai cuidar das renegociações, vai abrir mercado”, acrescentou.
Para ele, as posições ideológicas do presidente da República não podem interferir na política adotada pelo Itamaraty. “Tenho que ser um presidente para abrir mercado, seja na África, na Ásia, na Austrália, na Oceania, nos Estados Unidos, seja onde for. Tenho que buscar mercado. Não tenho que estar arrumando briga”, disse, criticando provocações ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. “A liturgia da Presidência não autoriza um presidente a opinar sobre candidatura em outros países”, afirmou sem mencionar diretamente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Caiado criticou ainda a intenção do Brasil em acionar a Lei da Reciprocidade Econômica contra os Estados Unidos. “Não estou falando que seja fácil (negociar com Trump). Agora, quando você vê um movimento como esse, não tem motivo para querer alegar que está tomando uma atitude de reciprocidade porque estaria defendendo a soberania brasileira”, afirmou. “Eu não sou a favor também de querer brigar com Xi Jinping (presidente da China)”, ponderou, citando avanço da política protecionista no Brasil, como a salvaguarda chinesa na cota bovina e a retirada do Brasil da lista de países fornecedores de carnes à União Europeia.
O ex-governador de Goiás criticou também o que chamou de interferências do Supremo Tribunal Federal em decisões. “Estamos indignados com muitas decisões que são tomadas pelo Supremo. Não é possível que o Supremo, como guardião da Constituição, produza decisões monocráticas que venham desrespeitar toda uma lógica no nosso País ou trazer essa ansiedade sobre a estabilidade dos contratos. A insegurança jurídica depõe contra o Estado Democrático de Direito”, acrescentou.
Contato: isadora.duarte@estadao.com
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