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Plano de governo de Flávio prevê superávit primário e redução da dívida pública

13 de agosto de 2026

Por Naomi Matsui e Flávia Said

Brasília, 13/08/2026 – O senador e candidato à Presidência pelo PL, Flávio Bolsonaro, divulgou há pouco seu plano de governo, intitulado “Para o Brasil Vencer o Atraso”. No documento, Flávio Bolsonaro critica o PT por ter “destruído o teto de gastos” e diz que é preciso reformular as atuais regras fiscais, com normas claras focadas na estabilização e na redução da dívida pública, para que o País tenha juros e inflação menores.

“Vamos fazer o oposto [do PT]: faremos nossos gastos caberem no orçamento, o que permitirá cobrar menos impostos e não empurrará dívida para as próximas gerações”, diz o plano. Ele prossegue com a promessa de entrega de superávits primários e limite ao crédito subsidiado com recursos do Tesouro, mitigando pressões inflacionárias. “Haverá uma regra clara de controle de gastos discricionários dos três Poderes da União”.

Segundo o documento, a meta é alcançar, no menor prazo possível, a estabilidade e depois a queda da relação Dívida/PIB, o que deverá puxar os juros para a média internacional e levar a inflação ao centro da meta.

Junto disso, o plano promete “um choque de gestão”, com reforma do processo orçamentário e “uma agenda permanente de transparência e avaliação de políticas públicas”, identificando quem são os beneficiários de cada programa e medindo o impacto de cada gasto. É proposto o corte de, no mínimo, 10 ministérios, a redução de cargos comissionados e de despesas administrativas e o combate aos penduricalhos e supersalários.

A equipe de Flávio coloca que os fundos de pensão das estatais serão blindados da indicação política. E prevê retomar o Programa Nacional de Desestatização, sem citar quais estatais poderão ser privatizadas.

Na esfera tributária, Flávio Bolsonaro propõe reduzir impostos sobre consumo e produção, mas não traz as alíquotas. Também defende revisar e redimensionar a reforma tributária, reduzindo o Imposto sobre o Valor Agregado (IVA). “Toda a transição ficou para os mandatos seguintes, o que evitou desgaste político para quem a aprovou, permitiu que os mais fortes vencessem e deixou para a população um custo que se aproxima de R$ 1 trilhão, sem fonte orçamentária definida nos dois fundos criados pela reforma, além de mais de R$ 500 bilhões em exceções decorrentes dos lobbies, que passaram a ser permanentes”, prossegue o documento.

Segundo o plano, será reeditado um pacote antifraude na Previdência, nos moldes do que foi feito em 2019. “Vamos mudar a governança do consignado para que a fraude não se repita, revendo quem opera esses descontos e como são autorizados, com mais transparência e mais controle, incluindo dupla checagem que impede que tirem do benefício o que não foi autorizado”. Por fim, fala na criação de um programa chamado Brasil sem Fila, com a digitalização dos processos e a profissionalização da gestão do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

Contatos: flavia.said@estadao.com, naomi.matsui@estadao.com

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