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25 de agosto de 2026
Por Antonio Perez
São Paulo, 25/08/2026 – Após operar em ligeira queda ao longo da tarde, o dólar acelerou o ritmo de baixa na reta final dos negócios, em sintonia com o aprofundamento das perdas da moeda americana no exterior e com tombo de 5% do petróleo no pregão eletrônico, após circularem notícias de que Estados Unidos e Irã teriam chegado a um novo acordo de cessar-fogo. Com mínima de R$ 5,1394 nos últimos minutos da sessão, o dólar à vista terminou o dia com desvalorização de 0,25%, a R$ 5,1404.
Mais cedo, o ambiente já era de apetite ao risco, com a perspectiva de que os americanos poderiam recuar de eventuais sanções econômicas a Teerã em troca da liberação do Estreito de Ormuz. As cotações do petróleo fecharam em queda superior a 3% na sessão regular de olho na notícia de que os governos de Irã e Omã concordaram em estabelecer um corredor marítimo temporário em Ormuz e promover a remoção de minas.
Apesar do ambiente externo de enfraquecimento da moeda americana, o dólar andou praticamente de lado por aqui ao longo da tarde, com leve viés de queda, antes de se firmar em terreno negativo no fim da sessão. Com agenda de indicadores esvaziada e sem novidades na corrida presidencial, investidores se limitavam a promover ajustes finos de posições de olho em eventual entrada de capital externo para a bolsa.
“Temos um contexto de menor aversão ao risco no exterior e acomodação do mercado global de renda fixa. Também há retorno de fluxo, mesmo que moderado, ao Brasil, com compra de ações pelos estrangeiros”, afirma o economista-chefe da Bravonte Capital, Eduardo Velho.
Do pico de R$ 5,2216, no último dia 18, para cá, o dólar caiu 1,55% frente ao real, mas ainda acumula valorização de 1,38% em agosto, atribuída ao aumento da busca por hedge cambial e à saída de investidores estrangeiros da bolsa nas últimas semanas. Investidores teriam reduzido a exposição a ativos brasileiros em razão da proximidade da corrida eleitoral, cujo desfecho pode significar uma guinada na política econômica.
Termômetro do comportamento do dólar em relação a uma cesta de seis moedas fortes, o índice DXY recuava 0,12% por volta das 17h, aos 98,874 pontos, após mínima de 98,863 pontos. O Dollar Index recua mais de 0,90% no mês. As taxas dos Treasuries caíram desde cedo, com o menor risco inflacionário, na esteira do tombo do petróleo e da possibilidade de aumento das recompras de títulos pelo Tesouro americano.
O diretor da Wagner Investimentos, José Raymundo Faria Junior, observa que há um quadro favorável ao real, com fraqueza externa do dólar, sobretudo após o anúncio da recompra de títulos pelo Tesouro dos EUA, melhora dos termos de troca do país e a perspectiva de que a corrida presidencial será acirrada, segundo as pesquisas eleitorais mais recentes.
“Por ora, todo este conjunto de boas notícias está surtindo pouco efeito, já que o real está em torno de 5% distante de sua maior cotação nominal do ano”, afirma Faria Junior, ponderando que, com a correção pela taxa Selic, a menor cotação do dólar no ano, de R$ 4,90 em meados de maio, equivale hoje a aproximadamente R$ 5,08.
Contato: antonio.perez@estadao.com
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